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mai
16
2012
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Arautos do Evangelho publicam coletânea de Cânticos Gregorianos em latim com tradução portuguesa

Liber_Cantualis

O coletânea dos mais belos cânticos gregorianos, que vem a lume sob a coordenação do Pe. Pedro Morazzani, EP, é fruto de décadas do cultivo do gregoriano no dia-a-dia da comunidade religiosa dos Arautos do Evangelho. Cada melodia está acompanhada da partitura e da tradução portuguesa do texto latino.

O gregoriano nasceu na aurora da Idade Média com a compilação de alguns hinos usados pela cristandade primitiva por ordem do Papa São Gregório Magno (590-604). Essa coletânea de cânticos eclesiásticos passou para a História com o nome de canto “gregoriano” em homenagem ao virtuoso Pontífice.

Passados tantos séculos do seu surgimento, o Concílio Vaticano II definiu o gregoriano “como o canto próprio da liturgia romana”, destinado na ação litúrgica ao “primeiro lugar” (Sacrosanctum Concilium, 116). Em razão disso os padres conciliares procuraram estimular os fieis a “cultivar com sumo cuidado o tesouro da música sacra” recomendando de maneira ingente a formação de schola cantorum “nos Seminários, noviciados e casas de estudo de religiosos de ambos os sexos, bem como em outros institutos e escolas católicas” (Idem, 114-115).

Anos mais tarde, o Papa João Paulo II reafirmou essa primazia do gregoriano: “no tocante às composições musicais litúrgicas, faço minha a ‘regra geral’ formulada por São Pio X nestes termos: ‘Uma composição religiosa é tanto mais sagrada e litúrgica quanto mais se aproxima — no andamento, na inspiração e no sabor — da melodia gregoriana; e é tanto menos digna do templo quanto mais se distancia desse modelo supremo” (Quirógrafo de João Paulo II sobre a Música Litúrgica, 12).

Testemunha do relevante papel que a música sacra tem na vida espiritual dos católicos desde os primeiros tempos do cristianismo, Santo Agostinho em uma de suas mais célebres obras, as Confissões, afirmou que o contato com as piedosas melodias litúrgicas das cerimônias presididas por Santo Ambrósio, o ajudaram a encontrar o caminho da Verdade: “Quanto chorei ouvindo vossos hinos, vossos cânticos, os acentos suaves que ecoavam em vossa Igreja! Que emoção me causavam! Fluíam em meu ouvido, destilando a verdade em meu coração. Um grande impulso de piedade me elevava, as lágrimas corriam-me pela face, e me sentia plenamente feliz” (Confessionum, 9, 6: PL 769,14.).

Oficio dominical cantado em estilo gregoriano na Igreja Nossa Senhora do Rosário pertencente aos Arautos do Evangelho de São Paulo, Brasil

Oficio dominical cantado em estilo gregoriano na Igreja Nossa Senhora do Rosário pertencente aos Arautos do Evangelho de São Paulo, Brasil

Movidos pela admiração para com o cântico oficial da liturgia católica os Arautos do Evangelho procuram divulgar em nosso imenso Brasil este inestimável tesouro litúrgico, publicando esta obra que reúne Os mais belos cânticos gregorianos. Que essas melodias ressoem nos templos sagrados do nosso país para o bem espiritual dos fieis e a glorificação de Jesus Eucarístico, conforme as recentes orientações litúrgicas dadas pelo Papa Bento XVI: “Na arte da celebração, ocupa lugar de destaque o canto litúrgico. [...] Enquanto elemento litúrgico, o canto deve integrar-se na forma própria da celebração; consequentemente, tudo – no texto, na melodia, na execução – deve corresponder ao sentido do mistério celebrado, às várias partes do rito e aos diferentes tempos litúrgicos. Enfim, embora tendo em conta as distintas orientações e as diferentes e amplamente louváveis tradições, desejo – como foi pedido pelos padres sinodais – que se valorize adequadamente o canto gregoriano, como canto próprio da liturgia romana” (Sacramentum Caritatis, 42).

O livro contem 282 páginas e é publicado em São Paulo pelos Arautos do Evangelho com o apoio da Editora Lumen Sapientiae.

Para visualizar partes do livro, clique aqui.

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mai
12
2012
0

A importância do latim para os estudos tomistas

 

Ivanaldo Santos[1]

De acordo com a Constituição Apostólica Veterum Sapientia, que trata do uso do latim pela Igreja, essa língua:

 

Nascida nos confins do Lácio, ela auxiliou de modo admirável a difusão do nome cristão nas regiões ocidentais. Não sem disposição divina aconteceu que aquele  idioma que reuniu por muitos séculos numa amplíssima sociedade de povos sob a autoridade do Império Romano foi assumido como língua própria da Sé Apostólica e, guardada pela posteridade, uniu uns com os outros os povos cristãos da Europa num alto vínculo.

Pela sua própria natureza a língua latina é apta a promover junto a qualquer povo toda cultura humana; e como não suscita a inveja e se apresenta com equidade diante de todos os povos, sem favorecer qualquer parte, é para todos aceitável e agradável. E não se deve negligenciar que na oração latina há uma nobreza de forma e estrutura, possibilitando um estilo conciso, rico, variegado, cheio de majestade e de dignidade, que contribui de maneira singular à clareza e à perspicácia.[2]

Além disso, acrescenta o documento pontifício:

A ninguém é lícito duvidar que não exista nos discursos dos romanos ou em suas veneráveis cartas uma força intrínseca para instruir as mentes informes dos adolescentes. Através dela, de fato, formam-se, amadurecem, se aperfeiçoam as melhores capacidades da alma; aguçam-se a acuidade da mente e a capacidade do juízo; além disso, a inteligência pueril é mais convenientemente preparada para compreender e julgar no justo sentido de cada coisa; enfim, aprende-se a pensar e a falar com suma ordem [razão].[3]

 

São Tomás de Aquino com São Pedro e São Paulo, Catedral de Dijon, França

São Tomás de Aquino com São Pedro e São Paulo, Catedral de Dijon, França

Apesar da alta contribuição para a sociedade, atestada pela Veterum Sapientia, atualmente o latim passa por um momento bastante peculiar. De um lado, há um renascimento do interesse e dos estudos sobre o latim e, de outro lado, esse idioma é constantemente acusado de ser uma língua morta e de estar ligado à cultura e à liturgia cristã. Em um mundo marcado pelo secularismo, pelo preconceito e até mesmo pelo desprezo pelo sagrado, a identificação do latim com o Cristianismo torna seu estudo um elemento problemático.

Entretanto, como bem salienta Haroldo Bruno o latim é “uma língua viva (do passado)”,[4] ou seja, não se pode negar que o latim atualmente seja uma língua que não desfruta do status de idioma oficial de alguma grande nação. O único governo que mantém o latim como língua oficial é a Cidade do Vaticano, a Sé Apostólica da Igreja, menor Estado do mundo. Com isso, atualmente o latim não tem o prestígio político que desfrutou até o século XVIII.

No entanto, o latim é uma língua viva. Muitas comunidades, ao redor do mundo, ainda preservam o latim. Sem contar que ele é fundamental para o estudo e a compreensão da rica cultura ocidental. É preciso ter consciência que a produção cultural do Ocidente (literatura, filosofia, teologia, etc) foi realizada, durante mais de 1500 anos, com a língua latina. Sem ela não teríamos, por exemplo, a eloquência de Cícero, o grande orador romano, a mística e a arte monástica e o gênio humanístico de Tomás de Aquino. Por causa desses e outros fatores que não foram mencionados é preciso, mais do que nunca, superar o “preconceito de que o latim é uma língua morta”[5] e mergulhar na investigação dessa importante e clássica língua ocidental.

Apenas para se ter uma pequena ideia do interesse crescente em torno do latim, recentemente um grupo de estudantes universitários criaram um site inteiramente em latim.[6] Movidos pela beleza e precisão da língua latina, alguns estudantes do Instituto Teológico São Tomás de Aquino (ITTA), em São Paulo, realizaram uma iniciativa inédita no Brasil: criaram um site escrito em latim. Trata-se do Praecones Latine (http://latine.blog.arautos.org/), que reúne textos, artigos, orações e notícias.

O latim “singularmente contribui à clareza e à seriedade”[7] da reflexão e do pensamento. Muitos literatos e pensadores jamais teriam composto suas obras se não fosse por meio do auxílio, direto ou indireto, do latim. Por causa disso ele muito contribuiu e contribui “para o progresso do gênero humano”,[8] permitindo, ao mesmo tempo, que a “comunicação seja universal”,[9] mas “também imutável”.[10]

Em nossos dias são inúmeros os exemplos que podem ser dados sobre o uso do latim. Entre esses exemplos cita-se: a importância do latim para o ensino de português,[11] o uso do latim na liturgia católica,[12] a discussão sobre a estética barroca,[13] a atualidade da configuracionalidade em latim clássico e em latim vulgar[14] e até mesmo a realização das propostas para padronização da terminologia empregada em sistemas agroflorestais.[15]

Não é intensão desse pequeno artigo apresentar toda a rica atualidade da língua latina. A intensão é bem mais modesta. O objetivo desse artigo é apresentar a importância do latim para os estudos tomistas.

É preciso realizar dois importantes esclarecimentos. O primeiro é que ao longo da discussão não serão abordadas ou definidas expressões, como, por exemplo, tomismo e tomista. Essa discussão foi realizada por estudiosos como Paulo Faitanin,[16] Francisco Elias de Tejada[17] e João Clá Dias.[18] O segundo é que temas de suma importância para a compreensão do latim em Tomás de Aquino não serão tratados. Entre esses temas cita-se: fonologia, morfologia e os aspectos sintáticos. Em grande medida eles foram pesquisados por Nestor Dockhorn.[19]

De posse desses dois esclarecimentos passa-se a se apresentar um conjunto de sete explicações que demostram a importância do latim para os estudos tomistas.

A primeira explicação é o fato de Tomás de Aquino ser um dos maiores pensadores e humanistas de toda a história. Sem a rica obra produzida pelo Aquinate dificilmente a humanidade teria conseguindo avançar em muitos campos do conhecimento, como, por exemplo, a teologia, a filosofia e o direito. Como bem observa Paulo Faitanin a obra de Tomás de Aquino está aberta a dialogar com as “verdades de qualquer época”.[20] Sem contar que o Aquinate é uma influência marcante dentro do pensamento contemporâneo,[21] conseguido provocar um raro e frutífero diálogo, por exemplo, com Martin Heidegger (tomismo heideggeriano), com a fenomenologia (tomismo fenomenológico), com o existencialismo (tomismo existencial), com a lógica (tomismo lógico) e mais recentemente com a filosofia analítica (tomismo analítico).

A questão central é que, como bem salienta Nestor Dockhorn,[22] Tomás escreveu uma vasta obra, desde pequenas produções poéticas litúrgicas até obras de grande fôlego. Os hinos eucarísticos Lauda Sion e Pange lingua (no qual se insere o conhecido Tantum ergo) são dignos de estudo, por seu conteúdo e por sua métrica. Além disso, escreveu obras filosóficas, tais como: De ente et essentia, De aeternitate mundi, De veritate, De malo e outras. Trabalhou com vários textos de Aristóteles. Suas obras mais importantes foram a Summa contra gentiles (que é uma exposição do Cristianismo dirigida a não crentes) e a Summa theologiae, também chamada Summa theologica. Esta última se apresenta como uma obra didática destinada a ajudar aos estudantes iniciais de teologia e filosofia. Na verdade, é uma das obras mais profundas e extensas que foram escritas no campo da teologia filosófica. Sua lógica, sua divisão em partes, seu raciocínio são admiráveis.

No entanto, todo o chamado corpus tomista, ou seja, o conjunto da obra produzida pelo Aquinate, é em latim. Para a produção de sua obra intelectual Tomás utilizou o latim medieval. Como ressalta Jean Lauand[23] o latim medieval alimenta-se não só do latim da antiguidade clássica, mas também da vida litúrgica; não era uma língua morta — como muitos defendem contemporaneamente —, mas estava continuamente desenvolvendo-se vivamente. Por sua vez, Tomás de Aquino, mergulhado na cultura medieval e clássica, cuida de não empregar essa língua com caráter técnico, artificial, terminológico, mas mantê-la com a viveza de uma linguagem corrente, natural.

Para um estudioso ou um iniciante nas reflexões contidas no corpus tomista é de suma importância o conhecimento do latim. Mesmo que o pesquisador não tenha um domínio pleno do latim — em grande parte devido a todas as sutilezas e exceções contidas na língua latina — é preciso conhecer um pouco dessa língua para poder realizar uma leitura e uma investigação mais apropriadas.

São Tomás de Aquino, Catedral de Notre Dame de Paris, França

São Tomás de Aquino, Catedral de Notre Dame de Paris, França

A segunda explicação é que apesar de em muitas partes do mundo, especialmente na Europa e nos EUA, haver boas traduções de algumas obras do Aquinate, especialmente da Summa contra gentiles e da Summa theologiae, o fato é que são poucos os países que possuem a tradução completa do corpus tomista. A grande maioria dos países e, por conseguinte, das línguas, possuem uma tradução limitada do corpus tomista. Sem contar que existe um grande número de línguas e ambientes — especialmente os confins tribais, isolados e de difícil comunicação tecno-cultural — que simplesmente não possuem a tradução de nenhuma obra do Aquinate.

Por esses fatores torna-se fundamental o conhecimento do latim. Sem o conhecimento dessa língua é praticamente impossível uma boa discussão do corpus tomista.

A terceira explicação é a intima relação entre Tomás de Aquino e a escolástica medieval e a escolástica moderna — que nasce no final do século XVIII e chega até o século XXI — também conhecida como neoescolástica. Para se apresentar essa explicação serão desenvolvidos dois argumentos.

O primeiro é que a escolástica medieval deve seu ponto áureo e seu apogeu com a obra produzida por Tomás de Aquino.[24] E como visto anteriormente, essa obra foi produzida em língua latina. Para se conhecer e pesquisar, com profundidade, a escolástica e o seu maior vulto, o Aquinate, é preciso ter certo domínio do latim.

O segundo é que apesar das pesquisas realizadas pela neoescolástica, em grande medida, serem em língua vernácula, o latim é fundamental para a compreensão dessas pesquisas. Sem o latim é difícil ou quase impossível haver um entendimento sobre os conceitos e a discussão intelectual que está sendo desenvolvida. O domínio do latim é fundamental para o domínio do conteúdo presente nos debates travados pelos neoescolásticos.

A quarta explicação é a necessidade de se compreender, de forma clara e precisa, os conceitos desenvolvidos por Tomás de Aquino. Ele pensou, escreveu e produziu sua obra em latim. Muitas vezes redefini antigos conceitos, oriundos da antiguidade, ou elabora novos. Um bom exemplo é dado por Renato Cancian.[25] Segundo ele, Tomás elabora uma sofisticada discussão em torno do conceito de intelecto. Para ele, o Aquinate partiu do princípio de que os seres humanos, ao contrário dos animais, têm a capacidade do intelecto ou entendimento (em latim intellectus). A palavra latina intellectus deriva do verbo intelligire e se traduz, vulgarmente, por entender, mas, no latim de Tomás de Aquino, é um verbo de uso muito mais geral que corresponde, aproximadamente, ao nosso pensar. A partir dessa discussão Tomás fez considerações a respeito da divisão e do método ou modo de proceder das ciências teóricas. Trata-se de reflexões que permanecem atuais. Essas e outras reflexões que foram realizadas pelo Aquinate só podem ser totalmente compreendidas se houver certo domínio da língua latina. É muito difícil entender a ampla complexidade dos conceitos tomistas se não houve domínio do latim. Por isso, o latim torna-se fundamental.

A quinta explicação é toda a rica tradição de pesquisas do neotomismo. Uma tradição que remonta ao final do século XVIII[F1]  e chega, com grande vigor, ao século XXI. O neotomismo é profundamente orientado pelo princípio de que a obra de Tomás de Aquino é perene, ou seja, constante. Por isso, ao contrário do que muitos críticos afirmam, ela não está presa a Idade Média. Trata-se de uma obra capaz de orientar, ao longo dos séculos, todos os pensadores que, livres dos preconceitos ideológicos que regem a modernidade, estudarem os problemas que angustiam o ser humano, sendo, para tanto, “inteiramente sustentados por Tomás”.[26]

Graças a essa sustentação foi possível surgir importantes pensadores contemporâneos, como, por exemplo, Étienne Gilson, Jacques Maritain, Cornelio Fabro, Anthony Kenny, Peter Thomas Geach e John Haldane. Esses pensadores só conseguiram realizar suas reflexões — cada uma tendo seu próprio objeto de estudo — graças à influência de Tomás de Aquino.

No entanto, o neotomismo e qualquer outra corrente que estude Tomás no século XXI tem que ter certo domínio do latim. Só é possível compreender profundamente o corpus tomista e, por conseguinte, aplicá-lo a pesquisas contemporâneas, se houver um amparo na língua latina. O estudo dessa língua torna-se quase obrigatório a todos que desejam realizar uma séria pesquisa de corte neotomista.

A sexta explicação é a recomendação, dada pela Santa Sé,[27] que a obra de Tomás de Aquino, especialmente a Summa theologiae, deve ser ensinada, refletida e compreendida nas universidades, escolas, seminários, mosteiros, conventos e demais centros de estudos católicos. Além disso, dentro dos limites previstos pela legislação de cada país, essa obra também deve ser ensinada dentro dos centros de ensinos (universidades, escolas, institutos tecnológicos, etc) seculares e civis.

O ensino da obra do Aquinate nos diversos ambientes de estudos e pesquisas só trará o enriquecimento e o aprimoramento da cultura humanística. No entanto, deve-se ensinar e, ao mesmo tempo, refletir a obra do Aquinate dentro da dinâmica interna de cada cultura e de cada língua vernácula, sem jamais descuidar das “lições da língua latina”.[28] O estudo de Tomás de Aquino deve-se sempre levar em conta a língua latina como uma das fontes de inspiração e de compreensão de Tomás de Aquino.

A sétima e última explicação é o fato da obra de Tomás de Aquino estar sendo utilizada, por pensadores neotomistas e de outras correntes do pensamento, para refletir e combater os erros “filosóficos da modernidade”.[29] Como bem salientou o Papa Leão XIII a “sociedade civil se encontra em grave perigo”.[30] E esse perigo é oriundo de um grande número de doutrinas “cheias de erros e falácias”,[31] as quais caem no “absurdo de afirmar que a distinção do verdadeiro e do falso não conduz à perfeição da inteligência”.[32] Entre essas doutrinas é possível citar, por exemplo, o positivismo científico, o marxismo, o anarquismo e o relativismo cultural. Para combater esses erros e restaurar a saudável diferença entre a verdade e a falsidade é preciso ter em mente que o corpus tomista é uma grande fonte “para a refutação dos erros dominantes”[33] na sociedade.

Como visto anteriormente, o corpus tomista foi composto em latim. Por isso, para haver uma autêntica leitura de Tomás e, posteriormente, uma aplicação dessa leitura ao processo de crítica e refutação dos erros doutrinários da modernidade, é preciso haver domínio, pelo menos parcial, do latim. Em grande medida, um pesquisador que deseje realizar uma séria crítica — alicerçado em Tomás de Aquino — as ideologias que povoam o imaginário moderno, deverá ter certa compreensão da língua latina.

É preciso ter em mente que as sete explicações que foram apresentadas não esgotam o debate em torno da importância do latim para os estudos tomistas. Em certa medida, ser tomista ou pelo menos simples leitor de Tomás de Aquino implica em também ser um estudioso do latim.

Por fim, afirma-se que há uma relação de mão dupla em torno do debate entre Tomás de Aquino e o latim. De um lado, Tomás de Aquino, com sua vasta obra, permitiu um reavivamento do latim, tanto no século XIII, época em que viveu, como também ao longo de toda a história das ideias. Do outro lado, a preocupação que os estudos tomistas devem sempre ter com o latim, contribui para que essa língua sempre esteja no centro das preocupações investigativas e, com isso, não seja uma língua morta.

 

Publicado em:

(Revista Lumen Veritatis. Vol. 5. Nº 18. Janeiro-Março de 2012. p. 107-114).

 


[1] Doutor em estudos da linguagem pela UFRN, professor do Departamento de Filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Letras da UERN. E-mail: ivanaldosantos@yahoo.com.br.

[2] PAPA JOÃO XXIII. Constituição Apostólica Veterum Sapientia. Sobre o uso do Latim, n. 3. AAS … (Tradução minha) Quarum in varietate linguarum ea profecto eminet, quae primum in Latii finibus exorta, deinde postea mirum quantum ad christianum nomen in occidentis regiones disseminandum profecit. Siquidem non sine divino consilio illud evenit, ut qui sermo amplissimam gentium consortionem sub Romani Imperii auctoritate saecula plurima sociavisset, is et proprius Apostolicae Sedis evaderet et, posteritati servatus, christianos Europae populos alios cum aliis arto unitatis vinculo coniungeret.

Suae enim sponte naturae lingua Latina ad provehendum apud populos quoslibet omnem humanitatis cultum est peraccommodata: cum invidiam non commoveat, singulis gentibus se aequabilem praestet, nullius partibus faveat, omnibus postremo sit grata et amica. Neque hoc neglegatur oportet, in sermone Latino nobilem inesse conformationem et proprietatem; siquidem loquendi genus pressum, locuples, numerosum, maiestatis plenum et dignitatis  habet, quod unice et perspicuitati conducit et gravitati.

[3] PAPA JOÃO XXIII. Constituição Apostólica Veterum Sapientia. Sobre o uso do Latim, n. 9. Neque vero cuique in dubio esse potest, quin sive Romanorum sermoni sive honestis litteris ea vis insit, quae ad tenera adulescentium ingenia erudienda et conformanda perquam apposita ducatur, quippe qua tum praecipuae mentis animique facultates exerceantur, maturescant, perficiantur ; tum mentis sollertia acuatur iudicandisque potestas; tum puerilis intellegentia aptius constituatur ad omnia recte complectenda et aestimanda; tum postremo summa ratione sive cogitare sive loqui discatur.

[4] BRUNO, H. Latim e formação linguística. In: Alfa, Revista de Linguística, São Paulo, n. 34, 1990, p. 70.

[5] BRUNO, H. Latim e formação linguística. op., cit, p. 69.

[6] ESTUDANTES BRASILEIROS CONSTROEM UM SITE ESCRITO EM LATIM. In: ITTA Notícias. Disponível em http://ittanoticias.arautos.org/?p=1416. Acessado em 15/08/2011.

[7] PAPA JOÃO XXIII. Constituição Apostólica Veterum Sapientia. Sobre o uso do Latim, n. 5.

[8] PAPA JOÃO XXIII. Constituição Apostólica Veterum Sapientia. Sobre o uso do Latim, n. 2.

[9] PAPA JOÃO XXIII. Constituição Apostólica Veterum Sapientia. Sobre o uso do Latim, n. 5.

[10] PAPA JOÃO XXIII. Constituição Apostólica Veterum Sapientia. Sobre o uso do Latim, n. 6.

[11] BORTOLANZA, J. O latim e o ensino de português. In: Revista Philologus, Rio de Janeiro: set./dez. 2000, n. 18, p. 77-85.

[12] PAPA PIO XII. Mediator Dei. Sobre a sagrada liturgia, n. 173-174; 177. AAS [citar a Acta Apostolicae Sedis] ; PAPA BENTO XVI. Carta Apostólica em forma de Motu Próprio Summorum Pontificum, n. 1 e 3. Tradução portuguesa pela CNBB. São Paulo: Paulinas, 2011.

[13] SANTO, A. E. A estética barroca do latim da Clavis Prophetarum do P. António Vieira. In: Ágora, Estudos Clássicos em Debate, n. 1, 1999, p. 105-131.

[14] MARTINS, M. C. S. Configuracionalidade em latim clássico e latim vulgar. Tese de Doutorado. Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Estudos da Linguagem, 2002.

[15] DANIEL, O. [et al]. Propostas para padronização da terminologia empregada em sistemas agroflorestais no Brasil. In: Revista Árvore, Viçosa, v. 23, n. 3, p. 367-370, 1999.

[16] FAITANIN, P. A Filosofia Tomista. In: Aquinate, Niterói, n. 3, 2006, p. 133-146; FAITANIN, P. O que é tomismo? In: Instituto Aquinate, 2010. Disponível em http://www.aquinate.net/portal/Tomismo/Tomismo-significado/tomismo-significado3edicao.htm. Acessado em 16/03/2010.

[17] ELÍAS DE TEJADA, F. Porque somos tomistas: da Teologia à Política. Comunicação apresentada ao Convegno di Studi per la celebrazione di San Tommaso d’Aquino nel VII Centenario, realizado em Gênova em 1974. In: Hora Presente, ano VI, n. 16, São Paulo, setembro de 1974, p. 93-103.

[18] DIAS, J. C. Por que ser tomista? In: Lumen Veritatis, Revista de Inspiração Tomista, n. 1, outubro/dezembro 2007.

[19] DOCKHORN, N. O latim de Tomás de Aquino, 2011, p. 3-7. Disponível em http://www.filologia.org.br/ixcnlf/13/10.htm. Acessado em 15/08/2011.

[20] FAITANIN, P. A Sabedoria do Amor. Iniciação à Filosofia de Santo Tomás de Aquino. Niterói: Instituto Aquinate, 2008, p. 20.

[21] VAN ACKER, L. O tomismo e o pensamento contemporâneo. São Paulo: EDUSP, 1983; FABRO, C. Santo Tomás de Aquino: ontem, hoje e amanhã. Entrevista concedida à revista Palabra, n. 103, Madri, março de 1974. In: Hora Presente, ano VI, n. 16, São Paulo, setembro de 1974, p. 246-254.

[22] DOCKHORN, N. O latim de Tomás de Aquino. op., cit, p. 3.

[23] LAUAND, J. Razão, natureza e graça: Tomás de Aquino em Sentenças, 2010, p. 12. Disponível em http://www.hottopos.com/mp3/sentom.htm. Acessado em 15/08/2011.

[24] HIRCHBERGER, J. História da filosofia na Idade Média. São Paulo: Herder, 1966; ADRIANO, J. A razoabilidade da fé: São Tomás e a Escolástica. In: Lumen Veritatis, Revista de Inspiração Tomista, n. 1, outubro/dezembro 2007, passim.

[25] CANCIAN, R. Tomás de Aquino: ciências práticas e especulativas. In: Uol Educação, 2011. Disponível em http://educacao.uol.com.br/filosofia/tomas-de-aquino-ciencias-praticas-e-especulativas.jhtm. Acessado em 15/08/2011.

[26] PAPA LEÃO XIII. Aeterni Patris. Da instauração da filosofia cristã nas Escolas Católicas, segundo a mente de Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico, n. 36. In: Aquinate, Niterói, n. 12, 2010, p. 117-151.

[27] PAPA LEÃO XIII. Aeterni Patris. Da instauração da filosofia cristã nas Escolas Católicas, segundo a mente de Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico. op., cit, n. 51.

[28] PAPA PIO X. Moto Próprio Doutor Angélico. Sobre a promoção da doutrina de S. Tomás de Aquino nas escolas católicas, n. 7. In: Aquinate, Niterói, n. 11, 2010, p. 111-120.

[29] ROVIGHI, S. V. História da filosofia contemporânea. São Paulo: Loyola, 2001, p. 649.

[30] PAPA LEÃO XIII. Aeterni Patris. Da instauração da filosofia cristã nas Escolas Católicas, segundo a mente de Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico. op., cit, n. 51.

[31] PAPA LEÃO XIII. Aeterni Patris. Da instauração da filosofia cristã nas Escolas Católicas, segundo a mente de Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico. op., cit, n. 16.

[32] PAPA LEÃO XIII. Aeterni Patris. Da instauração da filosofia cristã nas Escolas Católicas, segundo a mente de Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico. op., cit, n. 17.

[33] PAPA LEÃO XIII. Aeterni Patris. Da instauração da filosofia cristã nas Escolas Católicas, segundo a mente de Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico. op., cit, n. 56.


 [F1]Parece não ser no final do séc. XVIII

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mai
06
2012
0

Oração poética de São Tomás de Aquino (Texto latino com tradução e comentários)

Concedei-me

Oração composta e rezada diariamente por São Tomás[2]

São Tomás de Aquino[3]

São Tomás de Aquino

São Tomás de Aquino

 

 Concedei-me [1], Deus misericordioso,

que aquilo que vos agrada:

ardentemente desejar,

prudentemente investigar,

sinceramente apreciar,

perfeitamente consumar.

 

Para louvor e glória de vosso nome:

ordenai minha vida,

fazei-me compreender o que quereis de mim,

ajudai-me a cumprir o que é necessário

e o que seja útil para a minha alma.

 

Que a Vós, Senhor, minha via seja segura e completa,

sem esmorecer nas prosperidades ou adversidades,

para que Vos renda graças nas prosperidades,

e mantenha a paciência nas adversidades,

não me deixando exaltar por aquelas,

nem me desanimando por estas.

 

Que não me alegre em nada que não me leve a Vós,

tampouco me entristeça, exceto quando afastado de Vós,

a ninguém desejando comprazer, ou temer desagradar, salvo a Vós.

Que as coisas passageiras a mim se aviltem por Vós,

estimadas todas as vossas coisas me sejam, mas Vós,

ó Deus, mais que tudo.

 

Que me causem desgosto todas as alegrias sem Vós,

nada desejando além de Vós.

Que me deleite o trabalho para Vós,

e tedioso o repouso sem Vós.

Dai-me constantemente um coração por Vós elevado,

com dor e propósito de emenda por minhas faltas, ponderado.

 

Fazei-me, meu Deus:

humilde sem ficção,

alegre sem dissipação,

sério sem depressão,

oportuno sem opressão,

ágil sem frivolidade,

veraz sem duplicidade,

temendo-vos sem desesperação,

confiante sem presunção,

corrigindo o próximo sem pretensão,

edificando-o pela palavra

e pelo exemplo sem ostentação,

obediente sem contradição,

paciente sem murmuração.

 

Dai-me, ó dulcíssimo Deus, um coração:

vigilante, distanciando-se de Vós qualquer curiosa cogitação,

nobre, às vilezas, isento de indigna afeição,

invencível, que não o fraqueje nenhuma tribulação,

íntegro, que não o seduza nenhuma violenta tentação,

reto, que não o desvie nenhuma perversa intenção.

 

Concedei-me, Senhor meu Deus:

uma inteligência para vos conhecer,

um amor para vos buscar,

uma sabedoria para vos encontrar,

um convívio para vos agradar,

uma perseverança fiel para vos esperar,

e, por fim, uma confiança para vos abraçar.

 

Que eu seja transpassado por vossas penas pela penitência,

que no caminho seja agraciado por vossos benefícios pela graça,

e gozar de vossas alegrias na Pátria pela glória.

Amém.

 

Texto latino 

Explicação prévia para os iniciantes em latim – algumas curiosidades

São Tomás de Aquino, pintura na Igreja Nossa Senhora do Rosário, em São Paulo, Brasil

São Tomás de Aquino, pintura na Igreja Nossa Senhora do Rosário, em São Paulo, Brasil

O texto abaixo exige algumas explicações prévias para os iniciantes no latim:

Em primeiro lugar, tal como o latim clássico, o medieval desconhecia a diferença entre as letras “v” e “u”. Assim, o leitor poderá estranhar que em lugares nos quais se pensaria ser correto um “v”, teremos um “u”. O iniciante deve habituar-se em distinguir a diferença entre “u-v” e “u-u” para a compreensão do texto ao se ler os escritos antigos. Eis um exercício interessante para os leitores que um dia pretendem ler tais manuscritos…

Em segundo lugar, o pronome “mihi” está grafado de uma forma diferente da que estamos habituados: “michi”. Esse pormenor evidencia que a pronúncia feita por alguns eclesiásticos: “miki”, em vez de “mirri” ou “mii”, não é de modo algum infudada. Como dissemos, existe grande variedade na pronúncia dessa partícula por parte dos latinistas.

Em terceiro lugar, há a variante “mee” em vez de “meae”, não julgue o leitor que seria um erro de transcrição. Essa variante ocorria com frequencia no latim medieval.

O último pormenor interessante do latim medieval transcrito abaixo é que se escreve “ylarem”, com “y” grego, e não “hilarem”, como nos textos eclesiásticos atuais. Assim, na Idade Média se escrevia “Ystoria”, em vez de “Historia”, “Ylarem”, em vez de “Hilarem”. Eis outra particularidade interessante do latim medieval.

Além de notar essas particularidades, o leitor poderá degustar a poesia latina nessa oração, que demonstra como São Tomás não era apenas um filósofo a falar de Deus em termos abstratos. Muito pelo contrário, se percebe um coração cheio de entusiasmo, equilíbrio e humildade, além de um invulgar senso poético e métrico. Esse modo de escrever – digno de se enquadrado numa melodia gregoriana – é realmente cativante. Experimento o leitor!

 

Oratio quam fecit beatus Thomas

Concede michi misericors Deus

qui tibi piacita sunt ardenter concupiscere,

prudenter  inuestigare,

ueraciter agnoscere

et perfecte implere.

Ad laudem et gloriam nominis tui ordina statum meum,

et quod a me requiris tribue ut sciam,

et da ex equi ut oportet et expedit anime mee.

Via mea, Domine, ad te tuta sit, recta et consummata,

non deficiens iriter prospera et aduersa,

ut in prosperis tibi gratiam referam 

et in aduersis seruem patientiam,

ut  in illis non extollar et in  istis  non deprimar; 

de nullo gaudeam nisi quod promoueat me apud te,

nec de aliquo doleam nisi quod abducat me a te; 

nulli  piacere appetam uel displicere timeam nisi te.

 Vilescant michi omnia transitoria propter te,

et cara sint michi omnia tua

et tu Deus super quam omnia.

Tedeat me omnis gaudii quod est sine te

nec cupiam aliquid quod est extra te.

Delecte me labor qui est pro te;

et tediosa sit michi omnis quies que non est in te.

Frequenter da me cor meum ad te dirigere,

et defectionem meam cum emendationis proposito dolendo pensare.

Fac me, Deus meus,

humilem sine fictione,

ylarem sine dissolutione, 

tristem sine deiectione,

maturum sine grauiture,

agilem sine leuitate,

ueracem sine duplicitate,

te timentem sine desperatione,

sperentem sine presumptione,

proximum corrigere sine simulatione,

ipsum edificare uerbo et exempio sine elatione,

obedientem sine contradictione,

patientem sine murmuratione.

Da michi,dulcissime Deus,

cor peruigil quod nulla abducat a te curiosa cogitatio; 

da nobile quod nulla deorsum trahat indigna affectio; 

da in uictum quod nulla fatiget tribulatio; 

et da liberum quod nulla sibi uendicet uiolenta temptatio; 

et da rectum  quod nulla obliquet sinistra intentio.

Largire michi, Domine Deus meus, 

intellectum  te  cognoscentem,

diligentiam te querentem,

sapientiam te inuenientem,

conuersationem tibi placentem,

perseuerantiam te fideliter expectantem,

et fiduciam  te finaliter amplectentem; 

tuis penis configi per penitentiam, 

tuis beneficiis uti  in uia per gratiam,

et tuis gaudiis in patria frui per gloriam. Amen.

 

Por vezes o Doutor Angélico é representado na iconografia com asas

Por vezes o Doutor Angélico é representado na iconografia com asas


[1] Texto latino da oração Concede michi extraído de: Guilelmus de Tocco. Ystoria sancti Thome de Aquino, cap. 29. In: Ibid. Ed. Claire Le Brun-Gouanvic. Toronto: Pontifical Institute of Mediaeval Studies, 1996, p. 156, l. 56-86. Tradução de Diác. Felipe de Azevedo Ramos, EP com ligeiras adaptações para a língua portuguesa. Embora não conste o formato versificado no texto original acima mencionado, optou-se por dividir o texto para melhor compreensão e para destacar o estilo rimado em certas partes do texto de São Tomás de Aquino.

[2]A introdução completa a respeito desta oração se lê em Guilherme de Tocco (cf. op. cit., p. 156, l.53-56): “De quo deuoto et sancto doctore dicitur quod infra scriptam orationem composuit, continentia completam, affectione deuotam et stilo politam, quam omni die dicebat. Oratio quam fecit beatus Thomas, quam omni die dicebat”.

[3]Embora alguns catálogos mencionem esta oração como sendo de dúbia autenticidade, assignamos a autoria a São Tomás por estar inserida na quarta e última revisão do autor da História de São Tomás de Aquinonum trecho dedicado ao tema da contemplação e da oração. Para mais detalhes sobre este texto e sua autenticidade: Cf. Doyle, A. I. A Prayer Attributed to St. Thomas d’Aquinas. Dominican Studies, l, 1948, p. 229-238.

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abr
27
2012
4

Curso de latim: Pronomes demonstrativos

Pronomes demonstrativos

TigrisetagnuscordeiroetigrelambandtigerAntes de estudarmos a tabela dos pronomes demonstrativos, é interessante notar que um dos poucos reflexos do gênero neutro latino na língua portuguesa é a terceira forma de demonstrativo: isto, isso, aquilo. Esta forma indefinida pode ser aplicada para qualquer objeto independentemente de seu gênero, ou seja, não é nem masculino, nem feminino; nem um, nem outro; o que originou o gênero: neutrum (Ne utrum…). Passemos à tabela dos demonstrativos, a qual per se dispensa comentários prolixos.

Hic, haec, hoc – este, esta, isto

Singular

Plural

Gênero

M.

F.

N.

M.

F.

N.

N.

Hic

Haec

Hoc

Hi

Haec

Haec

Ac.

Hunc

Hanc

Hoc

Hos

Has

Haec

G.

Huius

Huius

Huius

Horum

Harum

Horum

D.

Huic

Huic

Huic

His

His

His

Ab.

Hoc

Hac

Hoc

His

His

His

Iste, ista, istud – esse, essa, isso

N.

Iste

Ista

Istud

Isti

Istae

Ista

Ac.

Istum

Istam

Istud

Istos

Istas

Ista

G.

Istius

Istius

Istius

Istorum

Istarum

Istarum

D.

Isti

Isti

Isti

Istis

Istis

Istis

Ab.

Isto

Ista

Isto

Istis

Istis

Istis

Ille, Illa, Illud – aquele, aquela, aquilo

N.

Ille

Illa

Illud

Illi

Illae

Illa

Ac.

Illum

Illam

Illud

Illos

Illas

Illa

G.

Illius

Illius

Illius

Illorum

Illarum

Illorum

D.

Illi

Illi

Illi

Illis

Illis

Illis

Ab.

Illo

Illa

Illo

Illis

Illis

Illis

Ipse, ipsa, ipsum – o próprio, a prória

N.

Ipse

Ipsa

Ipsum

Ipsi

Ipae

Ipsa

Ac.

Ipsum

Ipsam

Ipsum

Ipsos

Ipsas

Ipsa

G.

Ipsius

Ipsius

Ipsius

Ipsorum

Ipsarum

Ipsorum

D.

Ipsi

Ipsi

Ipsi

Ipsis

Ipsis

Ipsis

Ab.

Ipso

Ipsa

Ipso

Ipsis

Ipsis

Ipsis

 

Algumas explicações importantes

 “Hic” equivale ao demonstrativo luso “este”, ou seja, à ideia de proximidade imediata de quem fala e de quem ouve.

“Iste” equivale ao demonstrativo luso “esse”, ou seja, à ideia de proximidade imediata de quem fala, mas não de quem ouve.

“Ille” equivale ao demonstrativo luso “aquele”, ou seja, à ideia de distância tanto por parte de quem fala quanto da parte que ouve.

O conjunto “Ipse, ipsa, ipsum” equivale aos pronomes pessoais “ele, ela”. São usados para evitar repetições na frase de um nome mencionado anteriormente. É questão de estilo. Assim é de fato um “pro-nome”, ou seja, uma palavra que substitui o nome. Por outro lado, o Ipse é mais enfático que o pronome pessoal “is”, visto nas lições anteriores, e pode ser traduzido por “ele próprio”, ou “ele mesmo”.

Os pronomes demonstrativos também se declinam. Um exercício muito interessante é traduzir cada pronome em cada gênero da tabela acima segundo o caso. Veja o modelo abaixo:

Caso

Latim

Português

Singular

Nominativo

Hic

Este (Sujeito da frase)

Acusativo

Hunc

Este (Objeto Direto)

Genitivo

Huius

Deste

Dativo

Huic

Para este

Ablativo

Hac

Por este, com este

Plural

Nominativo

Hi

Estes (Sujeito da frase)

Acusativo

Hos

Estes (Objeto Direto)

Genitivo

Horum

Destes

Dativo

His

Para estes

Ablativo

His

Por estes, com estes

 Mãos à obra!

Uma curiosidade interessante é que alguns latinistas vêem no “Ille, Illa, Illud” a origem remota do pronome pessoal português “Ele e Ela”.

Em alguns textos, o leitor poderá encontrar a forma “hujus”, mas tanto o latim clássico como o eclesiástico desconhecem a letra “j”, de maneira que em nosso curso, jamais usamos o “j”, que é usado em alguns meios jurídicos nacionais ou estrangeiros.

Uma consolação: não há o caso vocativo nos pronomes demonstrativos…

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abr
20
2012
1

Professores louvam o Latine – primeiro aniversário

Leitores_escrevem_depoimentos

Um ano de Praecones Latine:

Escrevem os leitores

Queridos amigos,
Fiquei muito feliz em descobrir este site.
Sou professor universitário, com dois doutorados e sinto muita falta de exercitar a etimologia de nossa língua inserindo as origens da língua mater. Embora não seja professor de português, tive uma ótima base da língua em escolas militares, inclusive sou do tempo onde o latim fazia parte da grade escolar. Gostaria de estar em sintonia com os senhores.
Meus alunos, apesar de serem uma elite (Universidade Federal) nada conhecem do latim. Muitos me chocaram em não saber o que era “este tal de latim”.
Por favor, continuem em sua missão!
Um abraço Prof. Edgard Thomas Martins (Universidade Federal de Pernambuco)

Professores

Sou professor de Latim, Grego e Hebraico Bíblico e Moderno.
Fiquei feliz com a existência deste site com que a Língua Latina tem seus valores resgatados. Não considero o Latim uma língua morta, muito ao contrário, é uma das mais vivas do mundo, não só pelas línguas que deu origem, mas sobretudo pela opulência de sua estrutura original.
Quero aproveitar a oportunidade para congratular-me com o autor do site e dizer-lhe que doravante sou seu fiel seguidor com que buscarei incorporar aos meus valores e conquistas acadêmicas os ensinamentos aqui instruídos.
Parabéns!

Pedro Borges dos Anjos (Instituto de Idiomas Polycenter)

Da França

Bonne initiative que ce site étudiants! Il y a de l’idée, et quoi de mieux pour réhabiliter le latin.

Site des etudiants

De Franca…

Boa noite,

Chamo-me Hamilton. Resido em Franca, 440 km da Grande São Paulo, cidade próxima de Ribeirão Preto. Ela é conhecida como a capital do calçado masculino.
Bem, navegando na internet, deparei-me com este site muito interessante, pois sou professor de latim, além de inglês, alemão e esperanto. Não é fácil encontrar um site como esse sobre o latim, mesmo porque o latim ainda é bem fraco no Brasil, pois lá fora é bem difundido.
Ministro aulas em uma escola de idiomas e também em um seminário aqui em Franca.
Espero manter contato com vocês.
Obrigado.

Hamilton

De Roma

S.P.D. Latine Hudson! Gratulationes ingentes vobis porgo pro hoc vestro labore!
Inter meos discipulos in Latino curso pervulgabo istius loci interretialis notitiam!
Inter consocios vestros apud Athenaeum Pontificium “Regina Apostolorum” Romae studui et Collegium Internationale “Maria Mater Ecclesiae” apud viam Aureliam remoratus sum!
Cura, ut bene valeas!
Mag. Hudson Canutus!

(Filósofo e professor de Latim e Italiano na Casa de Cultura Latino-Americana da UFAL)

De Miami

Macte estote virtute! Laudo conamina vestra quibus vultis sermonis latini disseminare cultum. Utinam orerentur inter vos qui Ecclesiae Catholicae linguam elegantissimo quoque dicendi genere loqui et scribere valuerint.

Vere nobilissimum est inceptum cognitionem linguae latinae, praesertim in Ecclesia, fovere et augere. Paulus VI, summus pontifex dixit magnum Ecclesiae praestare auxilium omnem christifidelem qui studio sermonis latini vacat. Proh dolor, his diebus, linguae latinae cultus, ubique terrarum necnon in Ecclesia Catholica dormitat. Congratulor idcirco tibi quia studium hujus sermonis non negligis. Ego non sum linguarum magister. Paterfamilias sum et munere meo fungor in administratione fiscali. Consodalis sum autem consociationis canonicae nomine Familia Sancti Hieronymi, cujus membra sibi suscipiunt opus utendi, studendi, provehendique linguam latinam vivam, Ecclesiae Catholicae propriam, quam imprimis quotidiano usu oportet discere. Lingua latina enim, sicut omnes linguae, phenomenon est acusticum. Oportet illam discere auribus et ore potius quam oculis. Magni igitur momenti est auscultare linguam latinam et experiri sermonis romani usum vivum. Nos, membra Familiae S. Hieronymi quotannis convenimus ut paucos dies simul maneamus ubi tantummodo latine inter nos confabulamur. Nonnulla de his nostris inceptis apud sequentem situm legi possunt: www.hieronymus.us.com

Andreas Meszaros (Familia Sancti Hieronymi – USA)

De um grande abade

É uma alegria perceber o interesse de alguns a falar sobre o nosso amado fundador em momentos tão reflexivos que vive a Igreja. Parabéns aos seus idealizadores! Que Deus abençoe a todos!

Mosteiro de São Bento, São Luis do Maranhão.

Dom Leão, OSB.

De Portugal

Estimados(as) Afilhados(as) e Afilhadas,

Ave Maria,

Como sói acontecer, é excelente este “tópico” do sítio dos Arautos.
Parabéns, também, por possibilitar-nos mais cultura.
Sinceramente,
Fernando Geribello

Explicações claras

Estão bem claras, as explicações. O ensino de latim deveria fazer parte do currículo do ensino médio porque iria facilitar a aprendizagem da língua portuguesa e a formação dos vocábulos. Está na hora de exigir mais dessa juventude que tem inteligência potencial e descobrir mais intelectuais! Nosso querido País está precisando!

Terezinha Lopes Ruela Pereira

Método

Gostei muito. É muito interessante essa forma que vocês ultilizaram. Continuem! Já divulguei o site para outras pessoas, e elas ficaram interessadas.

José Jamerson

Do Seminário

Salve Maria!
Elogio-vos pela qualidade das informações nesse site. Sou seminarista e muito gostaria de cultivar a língua latina (oficial da igreja), mas sofro muito preconceito, infelizmente, até pelos próprios padres da Igreja, e sinto-me sufocado. Muito bom o blog. Parabéns pelo trabalho e continue nos ensinando de forma tão pedagógica.
Eduardo

 Vontade de aprender

Deus é providente!!! E ama muito os seus. Eu estava com muita vontade de aprender LATIM e não sabia por onde começar e, acessando o site dos Arautos do Evangelho encontrei essa maravilha Praecones Latine. Deus os abençoe cada vez mais. Amém!

Raquel Araújo

 Testemunho de fé

Parabéns
Fiquei feliz em saber que os Arautos colocaram para o publico fiel aquilo que a eu ver foi escondido por muito e hoje vem a tona com uma beleza e uma leveza de alma, Residum revertetum. Vejo que a igreja renasce do coração imaculado de Maria como uma flor perfumada e tende a invadir os mais profundos recônditos da alma e transformá-la em semente para esse novo reino que os senhores estão fundando: o reino de Maria.
Parabéns!

Agnaldo ferreira

 Fomentando o gregoriano

Salve Maria! Fiquei contentíssima de encontrar este post, pois participo de um coral de pais que está aprendendo a cantar músicas para celebração eucarística, e justamente estamos aprendendo sobre o gregoriano (desde a origem até a ler partituras). Já acompanho as publicações sobre Latim neste post a algum tempo, sendo muito apreciado pela minha família. Muito obrigada, e que Nossa Senhora lhes pague.

Tania

Liturgia

Idéia louvável. O conhecimento do canto gregoriano, suas letras e melodias, é de muita importância para nosso aprendizado pois facilita o acompanhamento da linda Liturgia Eucarística dos Arautos.

Margarida Guimarães Santos

Língua da Igreja

Graças a Deus encontrei um site maravilhoso que nos permite aprender o que a Igreja fundada por Jesus Cristo nos ensina, na língua da Igreja. Obrigada!

Necimar de Jesus F. Aragão

Uma sugestão para o futuro

Salve Maria!

Fiquei muito contente com esta possibilidade de aprender latim. Peço a Deus que este curso seja um sucesso e o primeiro de muitos. Quiçá, no futuro, grego e hebraico antigos também sejam objetos de cursos.

Aurélio Aranha

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abr
09
2012
0

Os sucessores de Constantino: a liberdade da Igreja após o Edito de Milão

Pe. José Arnóbio Glavan, EP

Bourges - Dscn0692-Bourges - Paulo MikioNos séculos que se seguiram ao Edito de Milão a Igreja encontrou-se numa delicada situação. Se de um lado podia mover-se em liberdade e à luz do dia, de outro teve que enfrentar a rápida e intensa propagação das heresias, que gozavam, também elas, da mesma situação de liberdade. Assim antigas doutrinas heterodoxas (falsas) sobre as quais a Igreja tinha triunfado em tempos de perseguição, renasciam em aspectos novos enquanto outras heresias novas surgiam. Entre os  séculos III e VII viu-se ela sacudida por grandes embates doutrinários nos quais, entretanto, a ortodoxia ia se afirmando com cada vez maior clareza e precisão.

Durante as antigas perseguições a Igreja de Deus enfrentou gloriosamente inimigos internos e externos. Mas vencidos estes últimos, concentrou-se ela nos primeiros: as heresias. Uma outra ordem de realidades, ainda, se somava a estas: se com Constantino a Igreja alcançara a liberdade, com Teodósio I o Grande tornou-se religião oficial do Império Romano. Com efeito, este imperador proibiu o culto pagão em todo o Império,  sem entretanto recorrer à força para reprimir seus adeptos, mas negando-lhes, simplesmente, cargos e regalias oficiais, transferindo-as para os cristãos. Os imperadores que se seguiram foram, aos poucos, fazendo recuar o culto pagão, o que aliás provocava contínuos protestos de seus seguidores, ainda numerosos na vida pública romana, sobretudo no Senado. Graciano (375-383) no Ocidente, por exemplo,  foi o primeiro a recusar o título de Pontifex Maximus (supremo pontífice), que os imperadores pagãos ostentavam, e que Constantino e seus sucessores, por política, conservaram.

Se tal situação fazia dos imperadores romanos, fiéis súditos da Santa Igreja, fazia-os também seus naturais protetores. E por isso, em muitas situações entenderam eles poder exercer sobre a Esposa de Cristo uma descabida tutela. Vê-se então imperadores —  sobretudo os do Oriente — intervirem, com pretensões de autoridade, em debates teológicos e mesmo disciplinares da Igreja. Mas também usarem do poder secular para reprimir os hereges e, não raras vezes, os ortodoxos. Constantino I (306-337), e Teodósio I (379-395) favoreceram a ortodoxia mas já seus sucessores Constâncio (337-361) e Valente(364-378), protegeram o Arianismo, destituindo e exilando Santo Atanásio, o grande herói da luta anti-ariana. Teodósio II, por sua vez, protegeu os hereges monofisitas.

Os sete primeiros concílios foram convocados pelos imperadores. Constantino convocou, em 325, o primeiro concílio ecumênico, o de Nicéia, e Teodósio II em 431 convocou o  Concílio de Éfeso, a fim de se pronunciar sobre a heresia nestoriana. O Imperador hesitou muito entre São Cirilo, representante do Papa e grande defensor da ortodoxia, e os bispos partidários de Nestório, mas acabou por apoiar aquele e exilar este.

O mesmo imperador, entretanto, dezoito anos mais tarde, premido pelo Patriarca Dióscoro de Alexandria, partidário do heresiarca Eutiques, convoca um novo Concílio Ecumênico para Éfeso. Concede, a presidência a Dióscoro, que recusa cedê-la aos representantes do Papa quando estes chegam, e ainda ousa impedir a leitura da carta de São Leão Magno que expunha a boa doutrina em face do Monofisismo de Eutiques. Este, portanto, não foi um Concílio mas sim um conciliábulo, e ficou conhecido na história com o nome de Latrocínio de Éfeso, porque reuniu os bispos sem o consentimento e a aprovação do Papa.

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abr
09
2012
0

Curso de História da Igreja: Divisão da História

Pe. Arnóbio José Glavan, EP

De diversos modos, hoje em dia, se divide e classifica a História da Humanidade. Há inclusive quem adote uma divisão própria para a História da Igreja, diversa da divisão adotada para a História Universal. Com efeito, o fato de se adotar esta dupla classificação pode levar a se considerar a História da Igreja como apenas correndo paralela à História da Humanidade e não intimamente unida a ela como o fermento na massa. De fato a Igreja é uma instituição com a missão de entrar na História, e agir nela operando a Salvação. Neste sentido ela só pode ser compreendida em toda a sua dimensão quando vista como um fator de transformação da História rumo ao Reino escatológico de Deus. A História da Salvação é, pois, uma História dentro da História.

Deste modo preferimos adotar para a História da Igreja a mesma divisão da História Universal, e fiquemos com a tradicional, que a classifica em quatro idades: Antiga, Média, Moderna e Contemporânea.

Na antiga distinguimos a antiguidade clássica, que vai das origens até o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo; e a cristã que se estende, segundo a convenção, até queda do império romano do Ocidente, em 476.

Igreja construída na chamada "Idade das trevas", Sainte Chapelle, Paris.

Igreja construída na chamada "Idade das trevas", Sainte Chapelle, Paris.

Temos depois a chamada Idade Média e a convenção estabelece para seu início a  queda do Império Romano do Ocidente e para fim a queda do Império do Oriente, em 1453. Como se vê, à Idade Média se atribui um período de cerca de mil  anos de duração. A designação de “Média” — época intermediária entre a Antiga e a Moderna —  vem de um descabido preconceito que modernamente dominou certos defensores do Humanismo e da Renascença. Votavam estes uma incondicional admiração pela antiguidade clássica: suas filosofias, artes, e até mesmo para efeitos literários e artísticos, seus deuses. Tudo com evidente intuito de desmerecer e menosprezar a obra santificadora e civilizadora da Igreja.

Chegou-se mesmo a apelidar a Idade Média de “noite dos mil anos“, ou “período das Trevas“, mas com o advento das pesquisas históricas e dos estudos especializados tais concepções acabaram por cair no mais completo ridículo e ficaram como testemunhas de estreiteza de horizontes, de obscuridade de espírito — de “noite” nas mentes — de certas correntes de pensamento modernas.

Segue-se a Idade dita Moderna, à qual nos referimos acima, e que se estenderia do fim da Idade Média até a data simbólica da deflagração da Revolução Francesa: 1789. Vem por fim a Idade Contemporânea que se estende até nossos dias.

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abr
05
2012
0

Sequência da Missa da Ressurreição: Victimae Paschali Laudes – Partitura, Audio Mp3 e Tradução

Victimae Paschali Laudes

EcceHomo_Jesus_Filho_de Deus_Latine

Victimae Paschali Laudes

Não há acentos no latim. Transcrevemos aqui apenas para facilitar a pronúncia.


Victimae pascháli laudes ímmolent Christiáni,

Agnus redémit óves: Christus ínnocens Patri reconciliávit peccatóres.

Mors et vita duéllo conflixére mirando: dux vitae mórtuus, regnat vivus.

Dic nóbis Maria, quid vidísti in via?

Sepulcrum Christi vivéntis, et glóriam vidi resurgéntis:

Angélicos testes, sudárium, et vestes.

Surréxit Christus spes mea: praecédet suos in Galilaéam.

Scimus Christum surrexísse a mórtuis vere: tu nóbis, victor Rex, miserére. Amen. (Allelúia).

Tradução para o português

À vítima pascal, que os cristãos oferecem o sacrificio de seus louvores.

O Cordeiro redimiu as ovelhas: Cristo inocente, com o Pai, reconciliou os pecadores.

A morte e a vida se bateram num duelo admirável, o Rei da vida, morto, reina vivo.

Dize-nos, Maria, no caminho; o que vistes?

O sepulcro de Cristo, que vive, e a sua glória que ante os olhos tive.

Vi as testemunhas angélicas, o sudário e as vestes.

Cristo minha esperança, ressuscitou e preceder-vos-á na Galiléia.

Sabemos, sim, que Cristo ressuscitou dos mortos.

Vós, ó Rei vitorioso, tende misericórdia de nós. Amén. Aleluia.

Audio e Partitura

Victimae Paschali Laudes (Gregoriano)

Para ouvir, clique aqui.

Partitura_Victimae_Paschali_Laudes_Jesus_Sequencia_Ressurreicao_Resurection_Oster

Feliz Páscoa!

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mar
22
2012
1

Nomes de alimentos e utensílios de mesa em latim

Bodas de Caná, por Veronesse, Museu do Louvre, Paris

Bodas de Caná, por Veronesse, Museu do Louvre, Paris

Curiosidades: Nomes de alimentos e utensílios de mesa em Latim

Como se diz o nome de certos alimentos e utensílios de mesa em latim?

Segundo o Parvum Verborum Novatorum Léxicum, publicado por Cletus Pavanetto, no site do Vaticano, Pizza se diz placenta compressa; um chocolatado, socolāta ou socolatae pótio; um vinho Lambrusco, acre vinum Aemilianum; ou ainda, lasanha, se diz, láganum; macarrão, pasta tubulata; panettone, Mediolanensis placenta. Veja as semelhanças e as diferenças que existe entre o latim e o português.

Em latim

Em português

Cibus, i (m.)

Alimento

Nutrimentum, i (n.)

Cibaria (n.) (sempre plural)

Edulia, ae (f.)

Esca, ae (f.)

Alimentum, i (n.)

Panis, is (m.)

Pão

Caro, carnis (f.)

Carne

Potio, onis (f.)

Bebida

Holus, ou Olus, oleris ( n.)

Legume

Lac, lactis (n.)

Leite

Aqua, ae (f.)

Água

Aqua medicata

Água mineral

Vinum, i (n.)

Vinho

Oleum, i (n.)

Óleo

Sal, salis (m.)

Sal

Mel, mellis (n.)

Mel

Prandium, ii (n.)

Almoço, às vezes, desjejum

Cena, ae (f.)

Jantar

Epulae, arum (f.) (somente plural)

Refeição

Convivium, ii (n.)

Banquete

Triclinium, i (n.)

Sala de Jantar

Mensa prima

Do início à sobremesa

Mensa secunda

A sobremesa

Mappa, ae (f.)

Toalha

Matele ou Matile, is (n.)

Guardanapo

Ientaculum, i (n.)

Almoço

Comissatio, onis

Festim

Merenda ou antecenium

Merenda ou lanche

Antecena ou Caput cenae

Primeiro prato do jantar

Bucea, ae (f.)

Bocado

Bucella, ae (f.)

Bocadinho

Libum, i (n.)

Bolo

Mica, ae (f.)

Migalha do pão

Pulmentum, i (f.)

Sopa

Cyathus, i (m.)

Copo ou Taça

Calix, calicis (m.)

Póculum, i (n.)

Scyphus, i (m.)

Cálathus, i (m.)

Antigo recipiente muito semelhante ao nosso copo

Pocillum, i (n.)

Copinho

Patina, ae (f.)

Prato

Lanx, lancis (f.)

Férculum, i (n.)

Patella, ae (f.)

Pires

Catillus, i (m.)

Catínus(m), i (m. e n.)

Tigela

Scutella,a e (f.)

Gábata

Tympano, i (n.)

Fruteira, compoteira

Phíala, ae (f.)

Garrafa

Salinum, i (n.)

Saleiro

Minister mensis

Servidor da mesa ou servente ou garçon

Escarum ordo, ordinis (m.)

Cardápio

Cuter, tri (m.)

Faca

BOdas de Canaa - MET!

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mar
15
2012
0

Curso de latim: tabela dos pronomes pessoais

Curso de latim: tabela dos pronomes pessoais

Curiosidade: o que é um pronome?

Pronome é a palavra que vem em lugar do nome. Concorda com este em gênero e número. Os pronomes pessoais correspondem às pessoas gramaticais e por meio deles devemos orientar o tratamento. Uma tabela dispensa longas e minuciosas explicações. Oferecemos hoje uma tabela com os pronomes pessoais do latim. Veja a semelhança com nossa língua portuguesa!

Primeira pessoa

Segunda pessoa

Singular

Caso

Em latim

Tradução

Em latim

Tradução

N Ego Eu Tu Tu
Ac. Me Me Tu Tu
G. Mei De mim Tui De ti
D. Mihi A mim, me Tibi A ti, te
Ab. Me Por mim Te Por ti

Plural

N. Nos Nós Vos Vós
Ac. Nos Nos Vos Vos
G. Nostrum De nós Vestrum De vós
D. Nobis A nós, nos Vobis A vós, vos
Ab Nobis Por nós Vobis Por vós

Terceira pessoa ou pronome reflexivo

N Não existe porque sempre é complemento
Ac. Se Se
G. Sui De si, dele, dela, deles, delas
D. Sibi A si, se, lhe, lhes
Ab. Se Por si, por ele, por ela, por eles, por elas

Note que o Mihi é pronunciado mirri na pronúncia clássica ou reconstituída, ou miqui na pronúncia eclesiástica.

O caso vocativo não se diferencia do nominativo. Eis a razão pela qual achamos conveniente não inserí-lo na tabela.

Para exercitar, oferecemos a Ave Maria em latim com os pronomes pessoais marcados em negrito:

Maria_Nossa_Senhora_Santa_Fotos_Jose_Ribeiro_da_Silva_Arautos_BrasilAve Maria, gratia plena
Dominus tecum
Benedicta tu in mulieribus
Et benedictus fructus ventris tui Jesus.
Sancta Maria, Mater Dei,
Ora pro nobis peccatoribus
Nunc et in hora mortis nostrae
Amen.

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