jun 172011
 

No post anterior vimos a pronúncia das vogais. Passamos a considerar as consoantes.

O princípio fundamental da pronúncia latina  resume-se em que todas as letras devem ser proferidas. Na pronúncia eclesiástica, somente certas consoantes possuem o som diverso do português.

A letra “c”
antes de “e”, “i”,
 “ae” e “oe” 
tem 
som de “tch”, 
como no “tchê” gaúcho ou na expressão “tchau”. Esta forma de pronunciar é idêntica ao italiano. Em português “ca, ce, ci, co, cu”, pronuncia-se “ca, se, si, co, cu”. Em italiano e latim eclesiástico, ca, tche, tchi, co, cu. Assim, em “celere” 
pronuncia‐se
 “tchélere”;
 “ciconia” pronuncia‐se “tchiconia”;
 “caelum” pronuncia‐se
 “tchélum”; e “coena” pronuncia‐se “tchena”.

Na pronúncia clássica ou reconstituída, o “c” se pronuncia como o “k”, como en “casa” inclusive antes de “e” e “i”. Assim se pronuncará “ka, ke, ki, ko, ku”, assim ficaria cetera (kétera), cibo (kibo).

Na letra “g” ocorre fenômeno semelhante. O “g” se pronuncia como em gato, ou como em águia. Na forma eclesiástica antes de “i” e “e” pronuncia-se “dg”, como em italiano “gelato”. Assim, ga, ge, gi, go ,gu, em vez de ser pronunciado no Brasil como “ga, je, ji, go, gu”, ficaria “ga, dje, dji, go, gu”. Na pronúncia clássica deve-se dizer “ga, gue, gui, go, gu”. Assim ficaria genus-generis (guénus-guéneris), pagina (paguina), genitrix (guenitrix).

A
 letra 
”t”’
antes 
de “i”
 tem som 
de ‘”ts”,
quando 
a 
sílaba 
não 
é 
tônica. Em “gratia” (graça), pronuncia-se “grátsia”; “locutio” pronuncia-se “locutsio”; “fortiori”, frotsióri”.

Em textos modernos que constam a
letra 
”j” 
tem-se 
sempre
 de pronunciar o som 
de 
”i”. Por exemplo, “jus”, “Jesus” e “jacta”, pronuncia-se “iús”, “iésus” e “iacta”. Aliás, como vimos no post sobre o alfabeto latino, o “j” não existe no latim clássico e não é usado nos textos litúrgicos e oficiais da Igreja Católica.

O
 grupo
 consonantal 
”ch” 
tem 
som 
de 
”k”. Por exemplo, “machina” 
pronuncia‐se
 ”mákina”; 
”charitas” 
pronuncia‐se
 ”káritas”; 
”chorda” 
pronuncia‐se
 ”kórda”.

O 
grupo
 consonantal 
”gn” 
tem 
som 
de 
”nh”, por exemplo, em ”ignis” 
pronuncia‐se
 ”ínhis”;
 ”cognosco” 
pronuncia‐se
” conhósco”;
 ”regnum” 
pronuncia‐se
 ”rénhum”.

O
 grupo 
consonantal 
”ph” 
tem 
som
 de 
”f”, 
igualmente 
ao 
português 
arcaico.

O “qu” se pronuncia “kú”. Por exemplo: “que” se pronuncia “kúe”.

Na pronúncia clássica e eclesiástica o “v” se pronuncia “u”. Por exemplo: veni se pronuncia “uéni”. Mas também se admitem as pronuncias “b” (bilabial fricativa explosiva) e “v” (labiodental, fricativa, sonora); isto dependerá da origem do falante. Um espanhol sempre pronunciará “beni”, um brasileiro ou italiano pronunciará “véni”.

O “ll” se pronuncia como a l geminada do italiano en Rafaella, ou seja, alonga-se a vogal anterior ao duplo “l”. Por exemplo: bellum, belli se pronuncia “bél-lum bél-li”.

O “h” no início das palavras é levemente aspirado (como em inglês e alemão). Em habere (verbo haver) pronuncia-se “rabere”. No latim ecleisástico o “h” não é pronunciado: “abere”.

O “m” e o “n” devem ser pronunciados inclusive no final das palavras, porém de forma “muda”. Aliás todas as consoantes latinas localizadas nos finais da palavras devem ser proferidas sem o acréscimo de vogal final. No Brasil costuma-se inserir uma vogal nas palavras ou siglas terminadas em consoantes, por exemplo, MASP, diz-se “maspi”, mas a pronúncia latina e de outras línguas estrangeiras não admitem este erro típico do brasileiro. Seria como dizer “good night”, “gudi naiti”. O correto é dizer “gud nait”, pronunciando levemente a consoante final.

Na pronúncia clássica o “th” é aspirado como no grego. Os eclesiásticos o pronuncia como simples “t”.

O “x” é pronunciado como “ks”, por exemplo, exire (eksire).

O grupo “sc” é pronunciado na forma eclesiástica como “ch”, por exemplo, descendere, (dechendere).

A pronúncia das demais consoantes são idênticas à brasileira do português.

Cícero um dos mais ilustres autores classicos

Busto de Cícero

Maio 192011
 

Praesentatio

Pulchritudine linguae latinae afflante, quidam studentes Evangelii Praeconum quaerunt novum inceptum in Brasilia: locum eletronicum totaliter scriptum in latine.

Per saecula latina lingua idioma mundi fuit. Romanum Imperium, quod ad tantae gloriae apicem pervenerat, ac tot populos, gentes nationesque sapienti iuris temperatione aequitateque ita sibi coagmentaverat, ut «patrocinium orbis terrae, verius quam imperium potuisset nominari » (cfr. Cic. De off. II, 8), diffundit latinam super pars europae, africae, asiaeve.

Iam, ut terrenae res omnes, ad occasum declinaverat; quandoquidem intus Imperium debilitatum ac corruptum, foris autem barbarorum incursionibus, a septemptrionibus diffractum, immani ruina sua in occidentalibus regionibus obrutum erat, latina lingua manet in usu Ecclesiae Catholicae, sed etiam, sicut lingua Iuris et magisterii.

Aetas Mediavalis omnes universitates usum linguae romanorum facerent ad ministrandam scienciam theologicam, sed etiam, cognitionem iuris, artis et medicinae.

Cum adventu modernitatis phenomenique nationalismi, latine occasum novit, sed nunquam hac pulchra lingua totaliter mortua fuit. Semper cultores sapientiae eam cognoverunt et eam locuti sunt.

Hodie lingua latina manet etiam in interrete. Multi loci eletronici portant nuntti latini ad manendum profunditatem, pulchritudinem et precisionis huius lingua Homeri, Ovidi, Ciceronisque.

Quaedam discipuli Instituti Theologici Sancti Thomae Aquinatis (ITTA), et membra Evangelii Praeconum, etiam tribuere cognitionem et articula in latine per hunc locum humilem volunt. Speramus lectori benevolentes qui has paginas electronicas legunt aumentum cognitionis et amoris ad latinitatem efficiant.

Sicut dicitur a Patribus Conciliaris Vaticani II, “antequam sacrorum alumni studia proprie ecclesiastica aggrediantur, ea humanistica et scientifica institutione ornentur, qua iuvenes in sua cuiusque natione superiora studia inire valeant; ac praeterea eam linguae latinae cognitionem acquirant, qua tot scientiarum fontes et Ecclesiae documenta intelligere atque adhibere possint” (Concilium Vaticanum II. Decretum de Institutione Sacerdotali Optatam Totius, 13).