ago 312012
 

Salve Regina in latine

Haec oratio, quam multi compositores in musica ornaverunt praesertim in cantu gregoriano, putatur Hermannum Contractum primum scripsisse in Reichenan, Germania. Postquam Sanctus Bernardus Claraevallensis addicit in hac deprecatione: O clemens, O pia, O dulcis Virgo Maria.

Cum ea finitur rosarium Virginis Mariae et Completorium Liturgiae Horarum.

Maria Virginis

Maria Virginis

Salve Regina in latine Tradução literal
Salve, Regina, Mater misericordiae, Salve Rainha, Mãe de misericórdia,
vita, dulcedo, et spes nostra, salve. vida, doçura e esperança nossa, salve!
Ad te clamamus, exsules filii Hevae, A vós bradamos, os degredados filhos de Eva.
ad te suspiramus, gementes et flentes A vós suspiramos, gemendo e chorando
in hac lacrimarum valle. neste vale de lágrimas.
Eia, ergo, advocata nostra, illos tuos Eia pois, advogada nossa, esses vossos olhos
misericordes oculos ad nos converte; misericordiosos a nós volvei;
et Jesum, benedictum fructum ventris tui, e Jesus, bendito fruto de vosso ventre,
nobis post hoc exilium ostende. A nós depois deste desterro mostrai.
O clemens, O pia, O dulcis Virgo Maria. ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria!
V.: Ora pro nobis sancta Dei Genetrix. V.: Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R.: Ut digni efficiamur promissionibus Christi. R.: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
maio 122012
 

 

Ivanaldo Santos[1]

De acordo com a Constituição Apostólica Veterum Sapientia, que trata do uso do latim pela Igreja, essa língua:

 

Nascida nos confins do Lácio, ela auxiliou de modo admirável a difusão do nome cristão nas regiões ocidentais. Não sem disposição divina aconteceu que aquele  idioma que reuniu por muitos séculos numa amplíssima sociedade de povos sob a autoridade do Império Romano foi assumido como língua própria da Sé Apostólica e, guardada pela posteridade, uniu uns com os outros os povos cristãos da Europa num alto vínculo.

Pela sua própria natureza a língua latina é apta a promover junto a qualquer povo toda cultura humana; e como não suscita a inveja e se apresenta com equidade diante de todos os povos, sem favorecer qualquer parte, é para todos aceitável e agradável. E não se deve negligenciar que na oração latina há uma nobreza de forma e estrutura, possibilitando um estilo conciso, rico, variegado, cheio de majestade e de dignidade, que contribui de maneira singular à clareza e à perspicácia.[2]

Além disso, acrescenta o documento pontifício:

A ninguém é lícito duvidar que não exista nos discursos dos romanos ou em suas veneráveis cartas uma força intrínseca para instruir as mentes informes dos adolescentes. Através dela, de fato, formam-se, amadurecem, se aperfeiçoam as melhores capacidades da alma; aguçam-se a acuidade da mente e a capacidade do juízo; além disso, a inteligência pueril é mais convenientemente preparada para compreender e julgar no justo sentido de cada coisa; enfim, aprende-se a pensar e a falar com suma ordem [razão].[3]

 

São Tomás de Aquino com São Pedro e São Paulo, Catedral de Dijon, França

São Tomás de Aquino com São Pedro e São Paulo, Catedral de Dijon, França

Apesar da alta contribuição para a sociedade, atestada pela Veterum Sapientia, atualmente o latim passa por um momento bastante peculiar. De um lado, há um renascimento do interesse e dos estudos sobre o latim e, de outro lado, esse idioma é constantemente acusado de ser uma língua morta e de estar ligado à cultura e à liturgia cristã. Em um mundo marcado pelo secularismo, pelo preconceito e até mesmo pelo desprezo pelo sagrado, a identificação do latim com o Cristianismo torna seu estudo um elemento problemático.

Entretanto, como bem salienta Haroldo Bruno o latim é “uma língua viva (do passado)”,[4] ou seja, não se pode negar que o latim atualmente seja uma língua que não desfruta do status de idioma oficial de alguma grande nação. O único governo que mantém o latim como língua oficial é a Cidade do Vaticano, a Sé Apostólica da Igreja, menor Estado do mundo. Com isso, atualmente o latim não tem o prestígio político que desfrutou até o século XVIII.

No entanto, o latim é uma língua viva. Muitas comunidades, ao redor do mundo, ainda preservam o latim. Sem contar que ele é fundamental para o estudo e a compreensão da rica cultura ocidental. É preciso ter consciência que a produção cultural do Ocidente (literatura, filosofia, teologia, etc) foi realizada, durante mais de 1500 anos, com a língua latina. Sem ela não teríamos, por exemplo, a eloquência de Cícero, o grande orador romano, a mística e a arte monástica e o gênio humanístico de Tomás de Aquino. Por causa desses e outros fatores que não foram mencionados é preciso, mais do que nunca, superar o “preconceito de que o latim é uma língua morta”[5] e mergulhar na investigação dessa importante e clássica língua ocidental.

Apenas para se ter uma pequena ideia do interesse crescente em torno do latim, recentemente um grupo de estudantes universitários criaram um site inteiramente em latim.[6] Movidos pela beleza e precisão da língua latina, alguns estudantes do Instituto Teológico São Tomás de Aquino (ITTA), em São Paulo, realizaram uma iniciativa inédita no Brasil: criaram um site escrito em latim. Trata-se do Praecones Latine (http://latine.blog.arautos.org/), que reúne textos, artigos, orações e notícias.

O latim “singularmente contribui à clareza e à seriedade”[7] da reflexão e do pensamento. Muitos literatos e pensadores jamais teriam composto suas obras se não fosse por meio do auxílio, direto ou indireto, do latim. Por causa disso ele muito contribuiu e contribui “para o progresso do gênero humano”,[8] permitindo, ao mesmo tempo, que a “comunicação seja universal”,[9] mas “também imutável”.[10]

Em nossos dias são inúmeros os exemplos que podem ser dados sobre o uso do latim. Entre esses exemplos cita-se: a importância do latim para o ensino de português,[11] o uso do latim na liturgia católica,[12] a discussão sobre a estética barroca,[13] a atualidade da configuracionalidade em latim clássico e em latim vulgar[14] e até mesmo a realização das propostas para padronização da terminologia empregada em sistemas agroflorestais.[15]

Não é intensão desse pequeno artigo apresentar toda a rica atualidade da língua latina. A intensão é bem mais modesta. O objetivo desse artigo é apresentar a importância do latim para os estudos tomistas.

É preciso realizar dois importantes esclarecimentos. O primeiro é que ao longo da discussão não serão abordadas ou definidas expressões, como, por exemplo, tomismo e tomista. Essa discussão foi realizada por estudiosos como Paulo Faitanin,[16] Francisco Elias de Tejada[17] e João Clá Dias.[18] O segundo é que temas de suma importância para a compreensão do latim em Tomás de Aquino não serão tratados. Entre esses temas cita-se: fonologia, morfologia e os aspectos sintáticos. Em grande medida eles foram pesquisados por Nestor Dockhorn.[19]

De posse desses dois esclarecimentos passa-se a se apresentar um conjunto de sete explicações que demostram a importância do latim para os estudos tomistas.

A primeira explicação é o fato de Tomás de Aquino ser um dos maiores pensadores e humanistas de toda a história. Sem a rica obra produzida pelo Aquinate dificilmente a humanidade teria conseguindo avançar em muitos campos do conhecimento, como, por exemplo, a teologia, a filosofia e o direito. Como bem observa Paulo Faitanin a obra de Tomás de Aquino está aberta a dialogar com as “verdades de qualquer época”.[20] Sem contar que o Aquinate é uma influência marcante dentro do pensamento contemporâneo,[21] conseguido provocar um raro e frutífero diálogo, por exemplo, com Martin Heidegger (tomismo heideggeriano), com a fenomenologia (tomismo fenomenológico), com o existencialismo (tomismo existencial), com a lógica (tomismo lógico) e mais recentemente com a filosofia analítica (tomismo analítico).

A questão central é que, como bem salienta Nestor Dockhorn,[22] Tomás escreveu uma vasta obra, desde pequenas produções poéticas litúrgicas até obras de grande fôlego. Os hinos eucarísticos Lauda Sion e Pange lingua (no qual se insere o conhecido Tantum ergo) são dignos de estudo, por seu conteúdo e por sua métrica. Além disso, escreveu obras filosóficas, tais como: De ente et essentia, De aeternitate mundi, De veritate, De malo e outras. Trabalhou com vários textos de Aristóteles. Suas obras mais importantes foram a Summa contra gentiles (que é uma exposição do Cristianismo dirigida a não crentes) e a Summa theologiae, também chamada Summa theologica. Esta última se apresenta como uma obra didática destinada a ajudar aos estudantes iniciais de teologia e filosofia. Na verdade, é uma das obras mais profundas e extensas que foram escritas no campo da teologia filosófica. Sua lógica, sua divisão em partes, seu raciocínio são admiráveis.

No entanto, todo o chamado corpus tomista, ou seja, o conjunto da obra produzida pelo Aquinate, é em latim. Para a produção de sua obra intelectual Tomás utilizou o latim medieval. Como ressalta Jean Lauand[23] o latim medieval alimenta-se não só do latim da antiguidade clássica, mas também da vida litúrgica; não era uma língua morta — como muitos defendem contemporaneamente —, mas estava continuamente desenvolvendo-se vivamente. Por sua vez, Tomás de Aquino, mergulhado na cultura medieval e clássica, cuida de não empregar essa língua com caráter técnico, artificial, terminológico, mas mantê-la com a viveza de uma linguagem corrente, natural.

Para um estudioso ou um iniciante nas reflexões contidas no corpus tomista é de suma importância o conhecimento do latim. Mesmo que o pesquisador não tenha um domínio pleno do latim — em grande parte devido a todas as sutilezas e exceções contidas na língua latina — é preciso conhecer um pouco dessa língua para poder realizar uma leitura e uma investigação mais apropriadas.

São Tomás de Aquino, Catedral de Notre Dame de Paris, França

São Tomás de Aquino, Catedral de Notre Dame de Paris, França

A segunda explicação é que apesar de em muitas partes do mundo, especialmente na Europa e nos EUA, haver boas traduções de algumas obras do Aquinate, especialmente da Summa contra gentiles e da Summa theologiae, o fato é que são poucos os países que possuem a tradução completa do corpus tomista. A grande maioria dos países e, por conseguinte, das línguas, possuem uma tradução limitada do corpus tomista. Sem contar que existe um grande número de línguas e ambientes — especialmente os confins tribais, isolados e de difícil comunicação tecno-cultural — que simplesmente não possuem a tradução de nenhuma obra do Aquinate.

Por esses fatores torna-se fundamental o conhecimento do latim. Sem o conhecimento dessa língua é praticamente impossível uma boa discussão do corpus tomista.

A terceira explicação é a intima relação entre Tomás de Aquino e a escolástica medieval e a escolástica moderna — que nasce no final do século XVIII e chega até o século XXI — também conhecida como neoescolástica. Para se apresentar essa explicação serão desenvolvidos dois argumentos.

O primeiro é que a escolástica medieval deve seu ponto áureo e seu apogeu com a obra produzida por Tomás de Aquino.[24] E como visto anteriormente, essa obra foi produzida em língua latina. Para se conhecer e pesquisar, com profundidade, a escolástica e o seu maior vulto, o Aquinate, é preciso ter certo domínio do latim.

O segundo é que apesar das pesquisas realizadas pela neoescolástica, em grande medida, serem em língua vernácula, o latim é fundamental para a compreensão dessas pesquisas. Sem o latim é difícil ou quase impossível haver um entendimento sobre os conceitos e a discussão intelectual que está sendo desenvolvida. O domínio do latim é fundamental para o domínio do conteúdo presente nos debates travados pelos neoescolásticos.

A quarta explicação é a necessidade de se compreender, de forma clara e precisa, os conceitos desenvolvidos por Tomás de Aquino. Ele pensou, escreveu e produziu sua obra em latim. Muitas vezes redefini antigos conceitos, oriundos da antiguidade, ou elabora novos. Um bom exemplo é dado por Renato Cancian.[25] Segundo ele, Tomás elabora uma sofisticada discussão em torno do conceito de intelecto. Para ele, o Aquinate partiu do princípio de que os seres humanos, ao contrário dos animais, têm a capacidade do intelecto ou entendimento (em latim intellectus). A palavra latina intellectus deriva do verbo intelligire e se traduz, vulgarmente, por entender, mas, no latim de Tomás de Aquino, é um verbo de uso muito mais geral que corresponde, aproximadamente, ao nosso pensar. A partir dessa discussão Tomás fez considerações a respeito da divisão e do método ou modo de proceder das ciências teóricas. Trata-se de reflexões que permanecem atuais. Essas e outras reflexões que foram realizadas pelo Aquinate só podem ser totalmente compreendidas se houver certo domínio da língua latina. É muito difícil entender a ampla complexidade dos conceitos tomistas se não houve domínio do latim. Por isso, o latim torna-se fundamental.

A quinta explicação é toda a rica tradição de pesquisas do neotomismo. Uma tradição que remonta ao final do século XVIII[F1]  e chega, com grande vigor, ao século XXI. O neotomismo é profundamente orientado pelo princípio de que a obra de Tomás de Aquino é perene, ou seja, constante. Por isso, ao contrário do que muitos críticos afirmam, ela não está presa a Idade Média. Trata-se de uma obra capaz de orientar, ao longo dos séculos, todos os pensadores que, livres dos preconceitos ideológicos que regem a modernidade, estudarem os problemas que angustiam o ser humano, sendo, para tanto, “inteiramente sustentados por Tomás”.[26]

Graças a essa sustentação foi possível surgir importantes pensadores contemporâneos, como, por exemplo, Étienne Gilson, Jacques Maritain, Cornelio Fabro, Anthony Kenny, Peter Thomas Geach e John Haldane. Esses pensadores só conseguiram realizar suas reflexões — cada uma tendo seu próprio objeto de estudo — graças à influência de Tomás de Aquino.

No entanto, o neotomismo e qualquer outra corrente que estude Tomás no século XXI tem que ter certo domínio do latim. Só é possível compreender profundamente o corpus tomista e, por conseguinte, aplicá-lo a pesquisas contemporâneas, se houver um amparo na língua latina. O estudo dessa língua torna-se quase obrigatório a todos que desejam realizar uma séria pesquisa de corte neotomista.

A sexta explicação é a recomendação, dada pela Santa Sé,[27] que a obra de Tomás de Aquino, especialmente a Summa theologiae, deve ser ensinada, refletida e compreendida nas universidades, escolas, seminários, mosteiros, conventos e demais centros de estudos católicos. Além disso, dentro dos limites previstos pela legislação de cada país, essa obra também deve ser ensinada dentro dos centros de ensinos (universidades, escolas, institutos tecnológicos, etc) seculares e civis.

O ensino da obra do Aquinate nos diversos ambientes de estudos e pesquisas só trará o enriquecimento e o aprimoramento da cultura humanística. No entanto, deve-se ensinar e, ao mesmo tempo, refletir a obra do Aquinate dentro da dinâmica interna de cada cultura e de cada língua vernácula, sem jamais descuidar das “lições da língua latina”.[28] O estudo de Tomás de Aquino deve-se sempre levar em conta a língua latina como uma das fontes de inspiração e de compreensão de Tomás de Aquino.

A sétima e última explicação é o fato da obra de Tomás de Aquino estar sendo utilizada, por pensadores neotomistas e de outras correntes do pensamento, para refletir e combater os erros “filosóficos da modernidade”.[29] Como bem salientou o Papa Leão XIII a “sociedade civil se encontra em grave perigo”.[30] E esse perigo é oriundo de um grande número de doutrinas “cheias de erros e falácias”,[31] as quais caem no “absurdo de afirmar que a distinção do verdadeiro e do falso não conduz à perfeição da inteligência”.[32] Entre essas doutrinas é possível citar, por exemplo, o positivismo científico, o marxismo, o anarquismo e o relativismo cultural. Para combater esses erros e restaurar a saudável diferença entre a verdade e a falsidade é preciso ter em mente que o corpus tomista é uma grande fonte “para a refutação dos erros dominantes”[33] na sociedade.

Como visto anteriormente, o corpus tomista foi composto em latim. Por isso, para haver uma autêntica leitura de Tomás e, posteriormente, uma aplicação dessa leitura ao processo de crítica e refutação dos erros doutrinários da modernidade, é preciso haver domínio, pelo menos parcial, do latim. Em grande medida, um pesquisador que deseje realizar uma séria crítica — alicerçado em Tomás de Aquino — as ideologias que povoam o imaginário moderno, deverá ter certa compreensão da língua latina.

É preciso ter em mente que as sete explicações que foram apresentadas não esgotam o debate em torno da importância do latim para os estudos tomistas. Em certa medida, ser tomista ou pelo menos simples leitor de Tomás de Aquino implica em também ser um estudioso do latim.

Por fim, afirma-se que há uma relação de mão dupla em torno do debate entre Tomás de Aquino e o latim. De um lado, Tomás de Aquino, com sua vasta obra, permitiu um reavivamento do latim, tanto no século XIII, época em que viveu, como também ao longo de toda a história das ideias. Do outro lado, a preocupação que os estudos tomistas devem sempre ter com o latim, contribui para que essa língua sempre esteja no centro das preocupações investigativas e, com isso, não seja uma língua morta.

 

Publicado em:

(Revista Lumen Veritatis. Vol. 5. Nº 18. Janeiro-Março de 2012. p. 107-114).

 


[1] Doutor em estudos da linguagem pela UFRN, professor do Departamento de Filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Letras da UERN. E-mail: [email protected].

[2] PAPA JOÃO XXIII. Constituição Apostólica Veterum Sapientia. Sobre o uso do Latim, n. 3. AAS … (Tradução minha) Quarum in varietate linguarum ea profecto eminet, quae primum in Latii finibus exorta, deinde postea mirum quantum ad christianum nomen in occidentis regiones disseminandum profecit. Siquidem non sine divino consilio illud evenit, ut qui sermo amplissimam gentium consortionem sub Romani Imperii auctoritate saecula plurima sociavisset, is et proprius Apostolicae Sedis evaderet et, posteritati servatus, christianos Europae populos alios cum aliis arto unitatis vinculo coniungeret.

Suae enim sponte naturae lingua Latina ad provehendum apud populos quoslibet omnem humanitatis cultum est peraccommodata: cum invidiam non commoveat, singulis gentibus se aequabilem praestet, nullius partibus faveat, omnibus postremo sit grata et amica. Neque hoc neglegatur oportet, in sermone Latino nobilem inesse conformationem et proprietatem; siquidem loquendi genus pressum, locuples, numerosum, maiestatis plenum et dignitatis  habet, quod unice et perspicuitati conducit et gravitati.

[3] PAPA JOÃO XXIII. Constituição Apostólica Veterum Sapientia. Sobre o uso do Latim, n. 9. Neque vero cuique in dubio esse potest, quin sive Romanorum sermoni sive honestis litteris ea vis insit, quae ad tenera adulescentium ingenia erudienda et conformanda perquam apposita ducatur, quippe qua tum praecipuae mentis animique facultates exerceantur, maturescant, perficiantur ; tum mentis sollertia acuatur iudicandisque potestas; tum puerilis intellegentia aptius constituatur ad omnia recte complectenda et aestimanda; tum postremo summa ratione sive cogitare sive loqui discatur.

[4] BRUNO, H. Latim e formação linguística. In: Alfa, Revista de Linguística, São Paulo, n. 34, 1990, p. 70.

[5] BRUNO, H. Latim e formação linguística. op., cit, p. 69.

[6] ESTUDANTES BRASILEIROS CONSTROEM UM SITE ESCRITO EM LATIM. In: ITTA Notícias. Disponível em http://ittanoticias.arautos.org/?p=1416. Acessado em 15/08/2011.

[7] PAPA JOÃO XXIII. Constituição Apostólica Veterum Sapientia. Sobre o uso do Latim, n. 5.

[8] PAPA JOÃO XXIII. Constituição Apostólica Veterum Sapientia. Sobre o uso do Latim, n. 2.

[9] PAPA JOÃO XXIII. Constituição Apostólica Veterum Sapientia. Sobre o uso do Latim, n. 5.

[10] PAPA JOÃO XXIII. Constituição Apostólica Veterum Sapientia. Sobre o uso do Latim, n. 6.

[11] BORTOLANZA, J. O latim e o ensino de português. In: Revista Philologus, Rio de Janeiro: set./dez. 2000, n. 18, p. 77-85.

[12] PAPA PIO XII. Mediator Dei. Sobre a sagrada liturgia, n. 173-174; 177. AAS [citar a Acta Apostolicae Sedis] ; PAPA BENTO XVI. Carta Apostólica em forma de Motu Próprio Summorum Pontificum, n. 1 e 3. Tradução portuguesa pela CNBB. São Paulo: Paulinas, 2011.

[13] SANTO, A. E. A estética barroca do latim da Clavis Prophetarum do P. António Vieira. In: Ágora, Estudos Clássicos em Debate, n. 1, 1999, p. 105-131.

[14] MARTINS, M. C. S. Configuracionalidade em latim clássico e latim vulgar. Tese de Doutorado. Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Estudos da Linguagem, 2002.

[15] DANIEL, O. [et al]. Propostas para padronização da terminologia empregada em sistemas agroflorestais no Brasil. In: Revista Árvore, Viçosa, v. 23, n. 3, p. 367-370, 1999.

[16] FAITANIN, P. A Filosofia Tomista. In: Aquinate, Niterói, n. 3, 2006, p. 133-146; FAITANIN, P. O que é tomismo? In: Instituto Aquinate, 2010. Disponível em http://www.aquinate.net/portal/Tomismo/Tomismo-significado/tomismo-significado3edicao.htm. Acessado em 16/03/2010.

[17] ELÍAS DE TEJADA, F. Porque somos tomistas: da Teologia à Política. Comunicação apresentada ao Convegno di Studi per la celebrazione di San Tommaso d’Aquino nel VII Centenario, realizado em Gênova em 1974. In: Hora Presente, ano VI, n. 16, São Paulo, setembro de 1974, p. 93-103.

[18] DIAS, J. C. Por que ser tomista? In: Lumen Veritatis, Revista de Inspiração Tomista, n. 1, outubro/dezembro 2007.

[19] DOCKHORN, N. O latim de Tomás de Aquino, 2011, p. 3-7. Disponível em http://www.filologia.org.br/ixcnlf/13/10.htm. Acessado em 15/08/2011.

[20] FAITANIN, P. A Sabedoria do Amor. Iniciação à Filosofia de Santo Tomás de Aquino. Niterói: Instituto Aquinate, 2008, p. 20.

[21] VAN ACKER, L. O tomismo e o pensamento contemporâneo. São Paulo: EDUSP, 1983; FABRO, C. Santo Tomás de Aquino: ontem, hoje e amanhã. Entrevista concedida à revista Palabra, n. 103, Madri, março de 1974. In: Hora Presente, ano VI, n. 16, São Paulo, setembro de 1974, p. 246-254.

[22] DOCKHORN, N. O latim de Tomás de Aquino. op., cit, p. 3.

[23] LAUAND, J. Razão, natureza e graça: Tomás de Aquino em Sentenças, 2010, p. 12. Disponível em http://www.hottopos.com/mp3/sentom.htm. Acessado em 15/08/2011.

[24] HIRCHBERGER, J. História da filosofia na Idade Média. São Paulo: Herder, 1966; ADRIANO, J. A razoabilidade da fé: São Tomás e a Escolástica. In: Lumen Veritatis, Revista de Inspiração Tomista, n. 1, outubro/dezembro 2007, passim.

[25] CANCIAN, R. Tomás de Aquino: ciências práticas e especulativas. In: Uol Educação, 2011. Disponível em http://educacao.uol.com.br/filosofia/tomas-de-aquino-ciencias-praticas-e-especulativas.jhtm. Acessado em 15/08/2011.

[26] PAPA LEÃO XIII. Aeterni Patris. Da instauração da filosofia cristã nas Escolas Católicas, segundo a mente de Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico, n. 36. In: Aquinate, Niterói, n. 12, 2010, p. 117-151.

[27] PAPA LEÃO XIII. Aeterni Patris. Da instauração da filosofia cristã nas Escolas Católicas, segundo a mente de Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico. op., cit, n. 51.

[28] PAPA PIO X. Moto Próprio Doutor Angélico. Sobre a promoção da doutrina de S. Tomás de Aquino nas escolas católicas, n. 7. In: Aquinate, Niterói, n. 11, 2010, p. 111-120.

[29] ROVIGHI, S. V. História da filosofia contemporânea. São Paulo: Loyola, 2001, p. 649.

[30] PAPA LEÃO XIII. Aeterni Patris. Da instauração da filosofia cristã nas Escolas Católicas, segundo a mente de Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico. op., cit, n. 51.

[31] PAPA LEÃO XIII. Aeterni Patris. Da instauração da filosofia cristã nas Escolas Católicas, segundo a mente de Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico. op., cit, n. 16.

[32] PAPA LEÃO XIII. Aeterni Patris. Da instauração da filosofia cristã nas Escolas Católicas, segundo a mente de Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico. op., cit, n. 17.

[33] PAPA LEÃO XIII. Aeterni Patris. Da instauração da filosofia cristã nas Escolas Católicas, segundo a mente de Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico. op., cit, n. 56.


 [F1]Parece não ser no final do séc. XVIII

nov 012011
 

Acqua alle funi!

Nesse momento de suprema aflição, um dos assistentes, desafiando temerariamente a pena capital, pôs-se a gritar com possante voz: “Água nas cordas!”. Era o único meio de impedir o desastre iminente.
Marcos Enoc Silva Antonio

Para ler em latim, clique aqui (latine)

Ao fiel peregrino ou ao curioso turista, impossível é passar despercebida a presença, bem no centro da Praça de São Pedro, do esguio obelisco encimado por uma cruz de bronze na qual se guarda, como a abençoar o mundo, um fragmento do Santo Lenho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

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Modelado há cerca de 4 milênios em um só bloco de pedra vermelha de Assuão, foi ele transportado de Alexandria para Roma no ano 37 por ordem do imperador Calígula. Estava destinado a ornar a spina ou eixo central do Circo do Vaticano, cuja construção, começada por esse imperador, seria finalizada por Nero.

Foi nesse estádio hoje desaparecido, situado na lateral esquerda da atual Basílica Vaticana, que numerosos cristãos, entre os quais São Pedro, receberam a palma do martírio, tendo o ancestral monólito por muda testemunha dos seus suplícios.

Passaram-se os anos e o circo foi abandonado e transformado em cemitério. O obelisco, porém, manteve-se inamovível, indicando o lugar onde o primeiro Papa oferecera sua vida por Cristo. E assim permaneceu por quinze séculos, até que, em 1586, Sisto V decidiu transladá-lo para sua atual posição, frente à fachada principal da Basílica de São Pedro. Tarefa nada fácil, pois embora ambos locais distem apenas algumas centenas de metros, as proporções do monólito são monumentais: mede quase 25 metros de comprimento, descontados a base e a cruz, e ultrapassa as 350 toneladas de peso.

O planejamento e execução da colossal empresa ficaram a cargo do arquiteto Domenico Fontana, quem após gastar alguns meses fazendo cálculos e testes, fabricando instrumentos e maquinários, deu início às operações com ajuda de 900 homens, 140 cavalos, uma infinidade de roldanas e centenas de metros de corda.

No dia determinado para reerguer na Praça de São Pedro o grande bloco de pedra, 10 de setembro de 1586, os habitantes de Roma acorreram em massa para presenciar essa façanha de engenharia. Visando evitar vozerios e agitações prejudiciais às delicadas manobras, as autoridades impuseram a todos, espectadores e obreiros, a proibição de pronunciar qualquer palavra… sob pena de morte!

Domenico Fontana, o único autorizado a falar, deu ordem para pôr em ação a complexa aparelhagem de andaimes, cordas e roldanas. Ouviam-se apenas os gemidos de esforço dos trabalhadores, o relinchar dos cavalos, o tamborilar de suas patas sobre o solo e o ranger das cordas esticadas.

Vagarosa e solenemente, ia-se erguendo o obelisco… Mas, a certa altura, uma preocupante fumaça começou a desprender-se das cordas de cânhamo, aquecidas pelo esforço a que estavam sendo submetidas. Algumas já estavam prestes a se romper, tornando iminente o desastre. Embora todos sentissem o perigo, ninguém pronunciava palavra, temendo a sentença de morte.

Nesse momento de suprema aflição, um dos assistentes, o Capitão Benedetto Bresca, desafiando temerariamente a pena capital, pôs-se a gritar com possante voz: “Acqua alle funi! – Água nas cordas!”. Marinheiro experimentado, sabia que o cânhamo se enrijece e contrai ao ser molhado, e esse era o único meio de impedir a queda do monólito.

Enquanto a guarda prendia o Capitão Bresca, Domenico Fontana bradava ordens para jogar imediatamente água nas cordas, que logo recuperaram sua resistência. E o obelisco, para alegria dos romanos, endireitou-se sobre sua base coroando com êxito, os meses de planejamento e esforços do arquiteto.

No meio da exultação geral, o Capitão Bresca compareceu diante do Papa, não para receber a sentença de morte, mas sim profundas manifestações de agradecimento. Com efeito, Sisto V, já informado do ocorrido, fez questão de recompensá-lo por sua ousadia e pela oportunidade de sua advertência.

Em prêmio à nobre e intrépida atitude deu-lhe o direito de hastear em seu navio a bandeira pontifícia. Além disso, concedeu à sua família e à sua cidade natal, Bordighera, o privilégio de fornecer, de modo exclusivo, as palmas para a celebração do Domingo de Ramos na Basílica do Vaticano, tradição que, 425 anos depois, ainda se conserva.

(Marcos Enoc Silva Antonio. Revista Arautos do Evangelho. N. 99, Out. 2011, p.50)

Obelisco da Praça de São Pedro, Vaticano

Obelisco da Praça de São Pedro, Vaticano

out 282011
 

No transcorrer dos seis primeiros séculos muitas outras heresias investiram contra a Santa Igreja, ora negando verdades sobre a Santíssima Trindade — como o Monarquianismo que negavam a distinção de pessoas em Deus. Ora  sobre Jesus Cristo, recusando, por vezes atribui-lhe verdadeira natureza divina— como o arianismo — outras vezes lhe negando a condição de verdadeiro homem — como o Monofisismo e o Monotelismo, que negavam, respectivamente duas naturezas e duas vontades em Jesus Cristo. Foram as chamadas heresias trinitárias e as segundas cristológicas. Não faltaram também as heresias que visavam o Divino Espírito Santo e a doutrina da graça como por exemplo o Pelagianismo. Entretanto, de todas elas a Igreja saiu gloriosamente vencedora, e nesta vitória foi assistida pela santidade, ortodoxia, cultura sabedoria e notáveis qualidades de escritores e polemistas, dos Santos Padres. A alguns destes — Santo Atanásio, São Jerônimo, Santo Agostinho entre outros — que se destacaram por sua excepcional ciência aliada à piedade. Entre os mais notáveis Padres, a Tradição coloca São Basílio, São Gregório de Nazianzo, São João Crisóstomo e Santo Atanásio, no que diz respeito ao Oriente, e Santo Ambrósio, São Jerônimo, Santo Agostinho e São Gregório I, o Grande, quanto ao Ocidente.

Detalhe da Saint Chapelle, Paris

Detalhe da Saint Chapelle, Paris

No período patrístico que estamos considerando, a Igreja foi também enriquecida pela realização de diversos sínodos e concílios, tanto regionais quanto universais, e a estes últimos se dá o nome de “ecumênicos”. Era, muitas vezes, por ocasião desses encontros, principalmente os que se realizavam sob a a autoridade do Papa —  condição para serem considerados ecumênicos, pois o papa é o Pastor universal — que a Igreja definia e formulava verdades de fé contidas na Revelação, e as propunha como tais para todos os fiéis: os dogmas.

Muitos sínodos e concílios se realizaram neste período, por vezes até mais de um por ano, o que torna muito laboriosa a enumeração de todos. Limitemo-nos aos ecumênicos: Nicéia (355) no qual foi definido que Jesus Cristo é verdadeiro Deus consubstancial (homousios) com o Pai; o  1º de Constantinopla (381) que como o anterior estabeleceu as verdades de fé que constam do Símbolo Niceno-Constantinopolitano (o Creio grande); Éfeso (431) que definiu, entre outras coisas, a maternidade divina de Nossa Senhora: Maria é Teotókos (Mãe de Deus);  Calcedônia (451) que condenou o Monofisismo de Eutiques, e estabeleceu o Cânon das Sagradas Escrituras (lista completa dos livros que constituem a Bíblia) e, por fim, o 2º de Constantinopla (553) que, entre outras coisas, reafirmou as decisões de Caledônia.

Nesta rápida passagem pela história dos Padres da Igreja e de suas lutas contra as heresias, chegamos ao fim do sexto século e  com ele o que se convencionou chamar em sentido estrito, o período dos Santos Padres. Admite-se, num sentido amplo, Santos Padres até o fim do século VIII. Também com esta historia encerramos nosso primeiro capítulo, para retomar no próximo a caminhada da Igreja onde a deixamos: ornada com a glória dos mártires e prestes a enfrentar os desafios da liberdade.

out 122011
 

Gnosticismo

O maior perigo para a Igreja nos primeiros séculos de sua História, de fato, consistiu numa subtil e venenosa heresia chamada Gnosticismo. Gnose é uma palavra grega que significa conhecimento, este pretende negar a Revelação divina que é o fato de Deus se dar a conhecer às criaturas humanas e lhes revelar seus eternos desígnios de salvação. A Igreja, como guardiã da Revelação, é também a guardiã e mestra do verdadeiro conhecimento a respeito de Deus. Santo Irineu ensinava que a verdadeira gnose é a doutrina dos Apóstolos (Santo Irineu, Contra as heresias, IV, 33,8). A Religião Cristã, por outro lado, é religião de mistério, e nela há uma dimensão infinita da verdade divina que não é alcançável pela inteligência humana, mas ante à qual, a razão deve se inclinar reverente e submissa. Entretanto, em todos os tempos, houve espíritos insatisfeitos ante essa contingência humana nos quais fervia o desejo de perscrutar, com seus meros recursos de inteligência, horizontes que só a Revelação nos pode descortinar.

Santo Irineu de Lyon

Santo Irineu de Lyon

Deste modo também em todos os tempos, a posse de pretensos conhecimentos secretos, a respeito da origem do mundo e da vida, do bem e do mal, revelados apenas a iniciados, cativou certos espíritos. O gnosticismo tem nisso sua origem.

Com existência muita antiga — há quem diga que ela se perde na noite dos tempos — o gnosticismo permanece, ele mesmo, um mistério. Pode-se, em todo caso, distinguir uma gnose pagã, manifestada no Egito, na Índia, na Grécia na Pérsia, e em muitos outros lugares, de uma gnose judaica e de outra “cristã”, ou seja, impregnações do gnosticismo, no judaísmo e no cristianismo.

O Gnosticismo é uma doutrina extremamente complexa, imprecisa, confusa, e nem sequer se pode dizer que é uma corrente doutrinária. São, na verdade, muitas correntes, adaptadas aos mais diversos tipos de psicologias, com diferentes graus de segredo. Pode-se, entretanto, discernir nelas algumas linhas gerais.

O que sobretudo move os gnósticos é a preocupação de explicar a origem do mal. Se Deus é bom e só pode criar coisas boas, como explicar o aparecimento de seres  imperfeitos e do mal, sobretudo do mal moral? Recusando eles os divinos ensinamentos sobre a criação e o pecado, engendram fantasiosas e contraditórias explicações: O Deus único e perfeito é na origem um Pan (tudo), posto num estado de perfeita harmonia e felicidade. Em determinado momento, deste tudo, destacou-se uma partícula, que tomando consciência de sua individualidade, se afirmou como um princípio do mal, e determinou uma explosão, neste tudo divino, provindo daí o que nós chamamos Criação. Tal explosão propiciou a existência de seres diferenciados e desiguais, resultando a concepção de que, não só a criação é um mal, mas sobretudo é má a existência de seres individuais e desiguais. E a desigualdade, por ser a mais expressiva manifestação da diferenciação, se afigura aos gnósticos como um mal sumamente rejeitável. Os seres individuais, que teriam resultado desta fragmentação do “deus”, são denominados eons, e foram aprisionados à matéria, produto do “deus mau”. Razão pela qual os gnósticos tem a matéria —  e portanto o corpo humano —,  em oposição ao espírito, como essencialmente má.

Temos, deste modo, a concepção gnóstica chamada dualismo, ou seja a existência de dois deuses: um “mau” outro “bom”. Esses dois deuses estariam em oposição, e a vitória do “bom” consistiria em alcançar — pelo desprezo crescente das coisas inferiores, especialmente das ligadas à matéria — a aniquilação dos condicionamentos materiais, das características pessoais e até das próprias individualidades, para restabelecer o “Pleroma” (a unidade inicial). Isso se faria levando os seres “hilicos” (dominados pela matéria), a ascenderem à condição de “psíquicos” (que estão em luta com os seres inferiores e com a matéria); e estes últimos chegarem à condição de “gnósticos” perfeitos” ou “puros”, (que teriam aniquilado em si tudo o que é inferior e que os diferencia dos outros) alcançando assim a condição de “salvos”, prontos para se reintegrarem no “tudo” primitivo, ou seja, reconstituírem o Pleroma. O “Tudo” o “Pleroma”, para o qual se caminharia por uma ascese de aniquilação da própria individualidade, vem a ser também, logicamente, um “nada”, um abismo eterno, contradição na qual não se pode deixar de discernir o sinal “digital” do “pai da mentira”. 

Como foi dito acima, na ordem concreta, a gnose dissolvia essa “tintura mãe” em muitos coloridos e muitos matizes diversos, e se beneficiava da atração natural que o espírito humano tem pelos conhecimentos secretos, para comunicá-la gradualmente a seus neófitos.

O contato de tais doutrinas com o Evangelho suscitou o gnosticismo “cristão”, ou seja uma concepção gnóstica do cristianismo. Assim, o deus mau vem a ser o Deus do Antigo Testamento, criador e justiceiro, que diferencia, discrimina,  premiando uns e punindo outros, e que subjugou o “deus” bom. Em revide uma emanação deste “deus” bom, o demiurgo, se impôs, e veio pregar o perdão, a união, a igualdade , a fraternidade, etc. Este demiurgo seria, para eles, Nosso Senhor Jesus Cristo, que teria vindo realizar obra oposta ao Deus do Antigo Testamento.

As sutilezas e camuflagens com que tais doutrinas eram apresentadas fizeram com que elas se transformassem, como foi dito, no maior perigo para a Igreja de Deus naqueles tempos.

Marcionismo e Maniqueísmo

Em contato com gnósticos sírios, um armeiro de nome Marcião, a quem São Policarpo qualificava de primogênito de Satanás — excomungado pelo próprio pai que era bispo — pôs-se a difundir uma doutrina impregnada de ideias gnósticas, que veio a chamar-se Marcionismo. Recusava todo o Antigo Testamento e do novo aceitava apenas alguns livros nos quais julgava encontrar apoio para suas doutrinas. Foi esta, precisamente, a mais perigosa heresia que o Cristianismo enfrentou naqueles primeiros tempos. Contra ela se levantou a invicta pena de São Justino, e mais tarde a brilhante ciência e erudição de Santo Irineu e Tertuliano, grande autor latino. Contido mas não morto, o marcionismo renasce no IV século com Manés, tomando por isso o nome de Maniqueísmo, chegando a colher em suas malhas, por algum tempo, aquele que veio a ser seu brilhante vencedor: Santo Agostinho. Mesmo vencido pela lógica e pela dialética desses grandes doutores, o gnosticismo marcionita, ressurgirá  peçonhento, no século XIII, com os cátaros (puros), como veremos mais adiante.

set 112011
 

Pro me mortuus es

Pueris et plenis fide adultibus
In lusitane, hic.

Adulescentulorum coetus in Novi Eboraci Via Quinta, anno fere 1930º, in praestantissimo urbis loco blatterandi causa factus erat; alii in solo alii in scalis Sancti Patricii Ecclesiae Cathedralis sedebant; ubique crepitus pollutio transitus; litterarum ignari, vestibus incompositi, habitu frivoli, similiter ac multi eo tempore iuvenes vitam primaevam in magnis urbibus vulgivagi degebant.

Tempore postmeridiano et aestivo, plus solito excitati erant; unus ex iis procer, sparso ore, rubicundus, vaniloquus, sibi spiritus adeo sumebat ut in media disputatoria sermocinatione versaretur; rixas facinoraque sua gesticulans magnis vocibus praedicabat; excellebant in eo illae virtutes, quibus ii utuntur, qui vitam fere totam in plateis viisque degunt: erat agilis, audax semperque minitans.

fielajoelhadodiantedacruzjesusmorreucatedralpiedadefeamororacaorezaUnus ex eius amicis, de vaniloquentia forte defessus, in hoc certamen provocavit:

“Heus, –inquit- multi sunt qui adversus duos tresque pugnaverunt vel qui nocte flumen tranarunt; sed si fortis es validusque in hanc grandem ecclesiam nunc intra, confessionarium adi et parocho peccata tua dices; deinde ad nos reverte ut quomodo auditus sis et quid tibi dixerit narres”.

Magno cachinno ista provocatio approbata est; nemo antea ausus erat falsam confessionem dicere et postea sacerdotem ludificare; lepidissimum consilium iudicarunt; in vaniloquum omnium oculi se converterunt ut responsum audirent.

Sine mora, maximis passibus, habitu gravis in aeneas templi valvas incessit; contubernales rissu, plausu, sibilis eius animum exitabant.

Cum in templum intravisset, audaciam simulare inutile esse iudicavit; Ecclesia Cathedralis vacua erat; urbani crepitus, qui magnas parietes transibant vix audiebantur nec molestiam afferebant; lux solaris per vitreas fenestras rubea et caerula et viridis splendebat; altae columnae ex solo petreo usque ad obscura tecti fastigia firmissimae pertinebant.

Noster egregius erro ex altaribus rebusque sacris, quas adhuc ignorabat, quandam divinam animationem paulatim capiebat; sed statim consilii iam capti meminit et sibi dixit: “nugae! istae res curae mihi numquam fuerunt; iocum perficiamus”.

Manibus in sacculis ad confessionarium incedit; sacerdotis imago trans velamentum videbatur; genua rustice flexit et sine mora verba sacrilega impiaque vomuit; facinora non solum singillatim narravit sed etiam ea, quae peiora et vitperanda iudicavit, latius descripsit, adeo ut eius contubernales quoque obstipuissent; postea quam aliqua verba canina protulit, quae et sacerdotem laedebant, finem confitendi subito fecit, eiusdem igitur modi atque inceperat.

Attamen pro responso id unum accepit scilicet grave silentium; tum haesitavit et cum dein erat foras profecturus, vocen impavidi sacerdotis tranquillam audivit:

“Fili mi, quoniam ut peccata confiterere valuisti, nunc videamus utrum paenitentialem poenam, quam imponam, sis soluturus necne;  ito in laterale pronaos ubi est magna crux cui Iesu imago est affixa; apud Eum genua flecte et decies hanc orationem orabis: Tu pro me mortuus es et id mea minime interest”.

Protervus ille nihil simile exspectabat; putabat sacerdotem formidaturum vel potius iraturum esse, nam sibi proposuerat confessionis fabulam agere et ad contubernales revertere ut audacias nararet; attamen parumper excogitavit et fabulam totam agere decrevit: “poenam poenitentialem solvam et ludibrium magis laudandum habebimus”.

Facile Christi Crucem invenit; cum attente circumspexisset, se unum Cruci adesse comperit curaque se liberavit, nam sub alterius oculis esse nolebat; tunc superbus et arrogans, limpida voce dixit: “Tu pro me mortuus es et id mea minime interest”.

Sub ecclesiae arcibus et loco silentissimo vox resonavit; nunquam antea in tali loco fuerat; spiritum tenuit quo distinctius sonitus audiret.

Parumper tacuit et deinde Crucem intuens orationem iteravit, at nunc vix mussavit Tu pro me mortuus es et minime id mea interest.

A Christi imagine teneri videbatur; quid tandem? nonne agebatur de statua ligneae cruci affixa? qua de causa sui oculi sic intuebantur ut aliorsum vertere nequirent? imagine sane, quae pacem vultu praesertim significabat; quoquo modo, tantis vulneribus acceptis, pacatum se praebebat? erat enim in quiete plenus pacis et sine odio, quamquam cruciatum omnem passus erat.

Adulescentulus haesitavit et oculos suos fricavit: “Heus -sibi dixit- num commoveri sinam? denuo diutiusque tacuit et gravem orationem iteravit: “Tu pro me mortuus es et id… id mea minime interest”.

Nunc tamen, oculis in solum conversis, oravit; sed ipse se interrogabat: quid mihi accidit? statuam nonne intueri valeo? caput erexit et Cristi oculi videbantur in suos defixi, et quamvis cupiret vultum vitare, omnino nequit; incepit sudare; iterum ausus est dicere: “Tu pro me mortuus es et… et id… id minime…”.

Neque orationis finem fecit; vocem suam velut si inter campanas sonantem audiebat, dum omnia circunstantia evanescere videt; id unum aspiciebat: caput spinis coronatum, quod oculos in suos defixerat, verbaque in pectore ab se ipsa iterabantur: Tu pro me mortuus es… mortuus es…”.

Cum expergiscitur, super talos, genibus flexis, sedebat, vultu lacrimis madido; nesciebat quamdiu ibi fuisset.

Vix surrexit; homo alter esse diceres; lux in cordis sui particula elucere incipiebat; nunc Deum esse penitus perspiciebat et Deum esse bonum; iam Eum illudere nequibat, nec  facinoribus iterum vexare; a peccatis erat discedendum.

Ad confessionarium cucurrit; ibi sacerdos patienter exspectabat; nunc veram sinceramque confessionem fecit; paucis hebdomadibus interiectis, illum monachi Fransciscani fratrem novicium receperunt.

Eiusmodi miracula a quieto et tacito Martyre qui de ligno pendet tantum aguntur; oculorum Eius acies multis verbis eloquentior est.

Ex ephemeride c.t. HERALDOS DEL EVANGELIO, Nº38, Sept. 2006

Scripsit Elisabetha MacDonald

Aliquot verba dempta sunt quo facilius lectio fieret cursoria.

Latine aptavit et transtulit  Paulus Kangiser

set 092011
 

Conspectus Alphabeticus

Ab ore ad aurem

Aquam funibus!

Ave Maria in latine

Codex Iuris Canonici

De veterum Romanorum institutione

Fabula pueris et plenis fide adultibus: ut recorderis

Fabula pueris et plenis fide adultibus: pro me mortuus es…

Hymnus Brasiliensis

Pater Noster in latine

Quare Beatus Ioannes Paulus II novum Codicem Iuris Canonici promulgavit?

Quid est Evangelii Praecones?

Quis simus?

Quommodo dicere Salve Regina in latine?

Societas Clericalis Vitae Apostolicae Iuris Pontificii Virgo Flos Carmeli

(Altera articula in hoc loco inserentur)

Museo Gregoriano Profano_Coliseu_Colosseum_Kolosseum_Coliseo_Roma_Italia_Italy_City_Urbs

jul 082011
 

Memória 11 de julio

P. Juan Croisset, S.J.

San Benito, tan célebre en todo el orbe cristiano, luz del desierto, apóstol del monte Casino, restaurador de la vida monástica en el Occidente, uno de los más ilustres y de los mayores santos de la Igle­sia, nació por los años de 480 en las cercanías de Nursia, del ducado de Espoleto. Su nobilísima casa, una de las más distinguidas de Ita­lia, se hacía respetar en toda ella, así por sus enlaces como por su grande riqueza. El padre, que se llamaba Eupropio, se cree que fue de la casa de los Anicios, y su madre, llamada Abundancia, era condesa de Nursia. San Gregorio, que escribió la vida de nuestro Santo, dice que no sin misterio le llamaron Benito, por las grandes bendi­ciones con que le previno el Señor desde su nacimiento.

Nada hubo que hacer en inclinarle á la piedad, porque las prime­ras lecciones que se le dieron hallaron ya un corazón formado para la virtud. Desde luego se descubrió en él un buen ingenio, nobles in­clinaciones, un natural tan dócil y tales señales de devoción, que á los siete años de su edad le enviaron sus padres á Roma para que se criase en aquella corte á vista del Papa Félix II, que también se cree haber sido de la misma familia.

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Hizo asombrosos progresos en las ciencias humanas por espacio de siete años que se dedicó á ellas; pero fueron mucho más asombrosos los que hizo en la ciencia de la salvación. Ya desde entonces se mi­raba como especie de prodigio su frecuente oración, su inclinación al retiro, su circunspección y las penitencias que hacía en una edad que sólo toma gusto á las diversiones y á los entretenimientos.

Pero sobre todo sobresalía en Benito la tierna devoción que profe­saba á la Madre de Dios. Venérase todavía en el oratorio de San Be­nito de Roma la imagen de la Santísima Virgen, en cuya presencia pasaba muchas horas en oración todos los días; y asegura el beato Alano que delante de ella recibió del Cielo extraordinarios favores.

Habiendo observado las licenciosas costumbres de los jóvenes de su edad y de su esfera, y conociendo los grandes peligros á que es­taba expuesta su salvación quedándose en el mundo, resolvió buscar seguro asilo á su inocencia en el retiro del desierto, y, lleno del espí­ritu de Dios que le guiaba, salió de Roma, siendo de solos quince años; llegó cerca de una aldea llamada Afilo, donde, habiendo hecho un milagro con el ama que le había criado y no había querido apar­tarse de él, halló medio para escaparse secretamente de ella, y por sendas descaminadas se fue á esconder en el desierto de Sublago, á quince leguas de Roma.

Todo conspira á inspirar horror en aquella soledad: los peñascos escarpados, cuyas puntas se escondían á la vista; los precipicios es­pantosos, y un terreno seco, estéril é infecundo; pero el animoso Be­nito halló en ella dulces atractivos. Habiéndole encontrado cierto monje llamado Romano, le preguntó qué buscaba por aquellos de­siertos, y respondióle Benito que un sitio donde sepultarse en vida para no pensar más que en Dios; admirado Romano, le enseñó cierta gruta abierta en una roca, parecida á una sepultura. En ella se en­terró Benito, y Romano le trajo de su monasterio un hábito de mon­je, cuidando también de traerle algunos mendrugos de pan una vez á la semana.

No se pueden comprender las excesivas penitencias que hizo aquel esforzado joven, hé­roe de la religión cristiana, desde los primeros pasos de su penosa carrera. Su ayuno era con­tinuo, su oración casi perpetua, y co­mo si no bastase para mortificación de aquel cuerpecito tierno y delicado no tener más cama que la dura peña, ni apenas otro ali­mento que insípidas y agrestes raíces, se echó á cuestas un áspero cilicio, de que no se desnudó en toda la vida.

Estremecióse el Infierno al ver tan­tas virtudes en el jo­ven solitario, y des­de luego comenzó el enemigo común á valerse de todo género de artificios para desalentarle. Dio principio  á la batalla haciendo pedazos una campanilla pendiente de una cuerda larga, con que Romano prevenía á Benito para que acudiese á reco­ger los mendrugos de pan que le descolgaba; pero la caridad, que es ingeniosa, halló arbitrio para continuar en su ejercicio. A esto se siguieron ruidos, fantasmas y otras cien estratagemas, que, habién­dolos experimentado igualmente inútiles, acudió por último recurso á la tentación más vehemente, y también más peligrosa.

Burlábase Benito, lleno de confianza en Jesucristo, de todos los vanos esfuerzos del demonio, cuando la memoria ó la imagen de una doncella que había visto en Roma se le imprimió tan vivamente en la imaginación, le inquietó tanto y le apuró con tal vehemencia, que para librarse de ella se desnudó el santo joven con animoso de­nuedo, y, corriendo á arrojarse entre una espinosa zarza, en ella se revolcó hasta que el extremo dolor que sentía mitigó del todo los ímpetus del deleite con que el tentador había querido derribarle. Quedó para siempre vencido y avergonzado el espíritu impuro, y premió el Cielo la generosa fidelidad de su siervo concediéndole el singular privilegio de que no volviese á experimentar en adelante semejantes tentaciones.

Hacía tres años que Benito vivía en el desierto, más como ángel que como hombre, cuando quiso el Señor darle á conocer al mundo.  A legua y media de su gruta ó de su cisterna habitaba un santo clérigo que en la víspera de Pascua había hecho disponer comida algo más abundante para el día siguiente, en honor de tanta festivi­dad. Aquella noche se le apareció el Señor en sueños, y le dijo que al otro día buscase á su siervo en el desierto y le llevase de comer; hízolo así el buen sacerdote, y quedó atónito cuando se halló con un mancebo tan delicado y vio la espantosa penitencia que hacía; y sin poderse contener, publicó lo que había visto; siendo ésta la ocasión de que comenzase la fama de Benito á divulgarse y hacer ruido en el mundo.

Murió por este tiempo el abad del monasterio de Vicovarre, entre Sublago y Tívoli; y habiendo nombrado los monjes á Benito por superior suyo, aunque se resistió cuanto pudo, alegando muchas razo­nes, no fue oído y le obligaron á encargarse del gobierno del mo­nasterio. Pero apenas comenzó el santo abad á querer enderezarlos por el camino estrecho de su profesión, cuando se arrepintieron de: la elección que habían hecho, negáronle la obediencia y aun inten­taron quitarle la vida con veneno que le echaron en la bebida; mas, al tiempo de sentarse el Santo á la mesa, echó la bendición como acostumbraba, y al punto se hizo pedazos el vaso que contenía el veneno.

Conociendo Benito la perversa intención de aquellos monjes, y pi­diendo á Dios los perdonase, renunció la abadía y se volvió á retirar á su amada soledad, aunque no estuvo solo mucho tiempo; porque á la fama de su rara santidad, concurrió de todas partes tan prodi­gioso número de gente con deseo de entregarse á su dirección y go­bierno, que sólo en el desierto de Sublago fundó doce monasterios, dándoles la regla que acababa de componer, dictada, digámoslo así, por el Espíritu Santo.

Creciendo cada día la reputación de su virtud, venían á verle y á consultarle los más autorizados senadores de Roma, entre los cuales Tertulo trajo consigo á su hijo primogénito Plácido, de edad de siete años, y Equicio á Mauro, que tenía doce, rogando á Benito que se encargase de educarlos. Aplicóse á ello con tanto cuidado, que en poco tiempo, de aquellos dos queridos discípulos suyos, hizo dos grandes santos, habiendo Plácido derramado su sangre por Jesucristo, y siendo Mauro como el segundo fundador de la religión benedictina en el reino de Francia.

No hay virtud sin persecución. Gobernaba la parroquia inmediata al desierto de Sublago un mal sacerdote llamado Florencio, que, no pudiendo sufrir tan heroicos ejemplos de virtud, como muda repren­sión de los desórdenes secretos de su estragada vida, no contento con desacreditar cuanto podía el nuevo instituto, ni con perseguir al padre y á los hijos, intentó con diabólicos artificios armar infames lazos á la pureza de los monjes. Juzgó el Santo que dictaba la pru­dencia ceder á la tempestad; y desamparando el desierto de Subla­go se fue al monte Casino, donde el Cielo le tenía prevenida una mies más abundante y donde, á título de fundador de una religión tan célebre entre todas las que ilustran á la Iglesia del Señor, había de añadir el de apóstol.

Habíanse como atrincherado entre las inaccesibles montañas del Casino algunas miserables reliquias de paganismo, adorando impu­ne y públicamente al dios Apolo, en cuyo honor se conservaba un templo y algunos bosques sagrados á vista de la misma Roma cris­tiana. Encendido Benito de aquel espíritu que anima y forma los héroes del Evangelio, ataca á la idolatría en sus mismas trincheras, derriba el templo, hace pedazos el ídolo, abrasa los bosques consa­grados á las mentidas deidades, levanta sobre las mismas ruinas del templo y del altar dos capillas, una en honra de San Juan Bautista y otra en la de San Martín, y en pocos días convierte á la fe á todos aquellos pueblos.

Armóse, dice San Gregorio, todo el Infierno junto para detener las rápidas conquistas de nuestro Santo. Espectros horribles, aullidos espantosos, terremotos, amenazas, incendio, granizo, piedra, de todo se valió el enemigo de la salvación; pero de todo inútilmente. Sobre la eminencia de aquella montaña fundó Benito el famoso mo­nasterio de Monte Casino, venerado siempre como solar y centro de aquella célebre religión que brilla tanto en la Iglesia de Dios más ha de mil doscientos años, habiendo dado á los altares más de tres mil santos, á las diócesis un número casi infinito de insignes prelados, al Sacro Colegio más de doscientos cardenales, á la Silla Apostólica cuarenta sumos pontífices, donde hasta el día de hoy se admiran y se veneran en las célebres congregaciones de Cluni, de Monte Casino, de San Mauro, de San Vanes, de San Columbano (sin que á ninguno ceda la de España é Inglaterra), tan grandes ejemplos de virtud y escritores tan hábiles y tan sobresalientes en todo género de letras.

Aun no se había acabado el nuevo monasterio, cuando fue menes­ter levantar otros muchos, siendo éste el tiempo en que San Benito, compuso, ó á lo menos perfeccionó aquella santa regla, cuya pru­dencia, sabiduría y perfección alaba tanto San Gregorio, habiendo merecido no sólo la aprobación, sino el respeto de toda la Iglesia.

Movida Santa Escolástica, hermana de San Benito, así de los grandes ejemplos de virtud como de las maravillas que obraba el Señor por medio de su santo hermano, determinó dejar el mundo; y encerrándose con otras doncellas en un monasterio distante algunas leguas de Monte Casino, fue también, con la dirección de nuestro Santo, fundadora de la vida monacal en el Occidente, respecto de las mujeres.

No es fácil referir todo lo que hizo Benito los trece ó catorce años que vivió en Monte Casino, ni todos los prodigios que se dignó Dios obrar por su ministerio. No sólo poseía el don de milagros, sino que lo comunicaba á sus monjes, como lo experimentó Mauro, que se metió por una laguna, sin hundirse en ella, á sacar á San Plácido por orden de su maestro.

De todas partes concurrían tropas de gente á venerarle. Y desean­do Totila, rey de los godos en Italia, conocer á un hombre de quien publicaba la fama tantas maravillas, vino á verle; pero al mismo tiempo, para probar si estaba dotado del don de profecía que tanto se celebraba, mandó á un caballerizo suyo que se vistiese de los adornos reales y de todas las insignias de la majestad; mas luego que Benito le vio con aquel equipaje, le dijo con dulzura: Deja, hijo mío, esas insignias que no te convienen, y no te finjas el que no eres. Asombrado Totila de la maravilla, corrió á arrojarse á los pies del Santo, á los que estuvo postrado hasta que Benito le levantó; y ha­biéndole reprendido respetuosamente los horribles estragos que ha­bía hecho en Italia, le pronosticó cuanto le había de suceder por espacio de nueve años, exhortándole á convertirse, y diciéndole que al décimo iría á dar cuenta á Dios de toda su vida. Verificó el suceso toda la profecía del Santo, y, procediendo Totila en adelante con ma­yor moderación y humanidad, no cesaba de publicar la virtud del siervo de Dios.

Siendo San Benito la admiración de todo el mundo, y respetándole los sumos pontífices, los emperadores y los reyes como el asombro de su siglo, vivía en el monasterio como si fuera el último de los mon­jes. Sólo se valía de su autoridad para ejercitarse en los oficios más humildes, y para exceder en mucho la austeridad de la regla. No obstante que el Señor parece había puesto debajo de su dominio á todo el Infierno, y que la misma muerte le obedecía, era, con todo eso, humildísimo, teniéndose por el más mínimo de todos los monjes, y acreditando con su proceder que así lo creía. Pronosticó el día de su muerte, y se dispuso para ella con nuevo fervor y ejercicios de penitencia. Seis días antes mandó abrir la sepultura; y, en fin, el sá­bado antes de la Dominica de Pasión, á los 21 de Marzo del año 543, siendo de solos sesenta y tres años no cumplidos, pero consumido de los trabajos y mortificaciones; lleno de méritos, y logrando el con­suelo de ver extendida su religión en Sicilia por San Plácido, en Francia por San Mauro, y en España, Portugal, Alemania y hasta en el mismo Oriente por otros discípulos suyos, rindió tranquilamen­te el espíritu en manos de su Criador, en la misma iglesia de Monte Casino, donde se había hecho conducir para recibir el Santo Viático.

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En el mismo punto que expiró, dos monjes que vivían en dos monasterios muy distantes vieron un camino muy resplandeciente que daba principio en Monte Casino y terminaba en el Cielo, y al mismo tiempo oyeron una voz que decía: Este es el camino por donde Beni­to, siervo amado de Dios, subió á la Gloria. El cuerpo del Santo estuvo por algunos días expuesto á la veneración de sus hijos y de todo el pueblo, y después fue enterrado en la sepultura que él mis­mo había mandado abrir, donde se conservó hasta el año 580, en que fue destruido el monasterio de Monte Casino por los lombardos, como lo había profetizado el mismo Santo, quedando sepultadas en­tre sus ruinas aquellas preciosas reliquias. Dícese que el año 660, habiendo pasado á visitar el Monte Casino San Algulfo por orden de San Momol, segundo abad del monasterio de Fleuri, llamado hoy San Benito sobre el Loyva, tuvo la dicha de desenterrar aquel teso­ro, y, trayéndole á Francia, le colocó en su monasterio, donde se tiene con singular veneración, honrando el Señor las sagradas reli­quias con los innumerables milagros que hace cada día.

jul 022011
 

Nem só em Roma se fala latim

A Finlândia (Suomen tasavalta, Republiken Finland) é o único país do mundo que transmite notícias oficiais em latim. Em sua página na internet da presidência da União Europeia (www.eu2006.fi), é possível até encontrar relatórios de reuniões nesse idioma.

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A página em questão possui versões em inglês e francês, o que é clássico na matéria, mas nela pode-se ler também o Conspectus rerum Latinus, ou seja, o Resumo das Notícias em Latim.

Segundo as estatísticas, mais pessoas assinam a newsletter em latim do que em francês.

O boletim de notícias em latim, divulgado pela rádio nacional da Finlândia, atrai 75 mil ouvintes de vários países do mundo, nos quais “o latim é mais conhecido do que o próprio finlandês”, explica o Prof. Tuomo Pekannen, que faz as traduções.

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jun 282011
 

A origem da devoção ao Sagrado Coração de Jesus

Marcos Eduardo Melo dos Santos

A base escriturística desta devoção remonta àquele trecho do Evangelho de  João (13,23) o qual narra o reclinar-se do discípulo amado ao peito de Jesus. Há inúmeras referências na época dos Padres da Igreja e na Idade Média. No entanto, quem hoje vê o nome do Sagrado Coração honrar a divisa de diversas ordens religiosas, paróquias, instituições de ensino e de assistência social, não pode imaginar com facilidade os dramas e dificuldades no surgimento desta devoção[1].

Após uma fase de eclipse, esta devoção ganhou novo impulso após as visões de Santa Margarida Maria Alacoque (1647–1690), difundidas por seu confessor São Claude de la Colombière (1673-1675)[2].

Após 150 anos de enormes dificuldades impostas especialmente pelos jansenistas e o terror da Revolução Francesa, em 1856, Pio IX instituiu a festa litúrgica do Sagrado Coração de Jesus, propondo, segundo a recomendação dos santos, a consagração do mundo ao Coração de Jesus.

Duzentos anos após Santa Margarida pedir ao Rei Luís XIV a consagração da França, o presidente do Equador, Gabriel Garcia Moreno, consagrou seu país em 1873, ao Coração de Jesus.

Cor Iesu

Cor Iesu

Diversos Papas incentivarem esta devoção através de encíclicas[3]. Atualmente a festa do Sagrado Coração é celebrada 19 dias após a solenidade de Pentecostes.

A devoção ao sagrado Coração de Jesus se difundiu em tocantes formas de piedade popular. Em 1872, Pio IX concedeu indulgências especiais aos que portassem o escapulário com a imagem do Sagrado Coração.

Semelhantes ao escapulário, havia também os chamados “detentes” com a imagem do Coração de Jesus. Os católicos que os portavam asseguram serem protegidos durante as perseguições religiosas ou conflitos armados, como os Chouans na França, os Cristeros no México e os combatentes das grandes guerras mundiais.

A variante talvez mais tocante da piedade ao Coração de Jesus esta na união com a devoção ao Imaculado Coração de Maria segundo a recomendação de vários santos como, São João Eudes, Santa Margarida Maria Alacoque, São Luís Grignion de Montfort, Santa Catarina Labouré e São Maximiliano Kolbe.

A devoção aos Corações de Jesus e Maria é difundida nos ritos católicos e orientais, e inclusive entre anglicanos e luteranos, crescendo nas últimas décadas com a difusão da Medalha Milagrosa, e, sobretudo, após a Mensagem de Fátima.

Ladainha do Sagrado Coração de Jesus em português e latim

A fim de que o leitor cresça mais e mais nesta devoção e aporfunde-se no conhecimento da língua latina oferecemos a ladainha do Sagrado Coração de Jesus em português e latim.

Em Português Latine
Senhor, tende piedade de nós. Kyrie, eléison.
Jesus Cristo, tende piedade de nós. Christe, eléison.
R/.Senhor, tende piedade de nós. R/. Kyrie, eléison.
Jesus Cristo, ouvi-nos. Christe, audi nos.
R/.Jesus Cristo, atendei-nos. R/. Christe, exáudi nos.
Deus, Pai dos Céus, tende piedade de nós. Páter de cælis, Deus, miserére nobis.
Deus Filho, Redentor do mundo, (a cada invocação responde-se “tende piedade de nós”) Fili, Redémptor mundi, Deus,
Deus Espírito Santo, Spíritus Sancte, Deus,
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, Sancta Trínitas, unus Deus,
Coração de Jesus, Filho do Pai Eterno, Cor Jesu, Fílii Patris ætérni,
Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe, Cor Jesu, in sinu Vírginis Matris a Spíritu Sancto formátum,
Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus, Cor Jesu, Verbo Dei substantiáliter unítum,
Coração de Jesus, de majestade infinita, Cor Jesu, majestátis infinítæ,
Coração de Jesus, templo santo de Deus, Cor Jesu, templum Dei sanctum,
Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo, Cor Jesu, tabernáculum Altíssimi,
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do Céu, Cor Jesu, domus Dei et porta cæli,
Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade, Cor Jesu, fornax ardens caritátis,
Coração de Jesus, receptáculo de justiça e de amor, Cor Jesu, justítiæ et amóris receptáculum,
Coração de Jesus, cheio de bondade e de amor, Cor Jesu, bonitáte et amóre plenum,
Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes, Cor Jesu, virtútum ómnium abyssus,
Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor, Cor Jesu, omni laude digníssimum,
Coração de Jesus, Rei e centro de todos os corações, Cor Jesu, rex et centrum ómnium córdium,
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência, Cor Jesu, in quo sunt omnes thesáuri sapiéntiæ et sciéntiæ,
Coração de Jesus, no qual habita toda a plenitude da divindade, Cor Jesu, in quo hábitat omnis plenitúdo divinitátis,
Coração de Jesus, no qual o Pai põe as suas complacências, Cor Jesu, in quo Pater sibi bene complácuit,
Coração de Jesus, de cuja plenitude nós todos participamos, Cor Jesu, de cujus plenitúdine omnes nos accépimus,
Coração de Jesus, desejo das colinas eternas, Cor Jesu, desidérium cóllium æternórum,
Coração de Jesus, paciente e misericordioso, Cor Jesu, pátiens et multæ misericórdiæ,
Coração de Jesus, rico para todos os que Vos invocam, Cor Jesu, dives in omnes qui ínvocant te,
Coração de Jesus, fonte de vida e santidade, Cor Jesu, fons vitæ et sanctitátis,
Coração de Jesus, propiciação pelos nossos pecados, Cor Jesu, propitiátio pro peccátis nostris,
Coração de Jesus, saturado de opróbrios, Cor Jesu, saturátum oppróbriis,
Coração de Jesus, atribulado por causa de nossos crimes, Cor Jesu, attrítum propter scélera nostra,
Coração de Jesus, feito obediente até a morte, Cor Jesu, usque ad mortem obédiens factum,
Coração de Jesus, atravessado pela lança, Cor Jesu, láncea perforátum,
Coração de Jesus, fonte de toda a consolação, Cor Jesu, fons totíus consolatiónis,
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição, Cor Jesu, vita et resurréctio nostra,
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, Cor Jesu, pax et reconciliátio nostra,
Coração de Jesus, vítima dos pecadores, Cor Jesu, víctima peccatórum,
Coração de Jesus, salvação dos que esperam em Vós, Cor Jesu, salus in te sperántium,
Coração de Jesus, esperança dos que expiram em Vós, Cor Jesu, spes in te moriéntium,
Coração de Jesus, delícia de todos os santos, Cor Jesu, delíciæ sanctórum ómnium,
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, V/. Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi,
R/. perdoai-nos, Senhor. R/. Parce nobis Dómine.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, V/. Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi,
R/. atendei-nos, Senhor. R/. Exáudi nos Dómine.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, V/. Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi,
R/. tende piedade de nós. R/. Miserére nobis.
V/. Jesus, manso e humilde de Coração, V/. Jesu, mitis et húmilis Corde,
R/. Fazei nosso coração semelhante ao vosso. R/. Fac cor nostrum secúndum Cor tuum.
Oremos. Deus onipotente e eterno, olhai para o Coração de vosso Filho diletíssimo e para os louvores e as satisfações que Ele, em nome dos pecadores, Vos tributa; e aos que imploram a vossa misericórdia concedei benigno o perdão, em nome do vosso mesmo Filho Jesus Cristo, que convosco vive e reina por todos os séculos dos séculos. Amém. Orémus. Omnípotens sempitérne Deus, réspice in Cor dilectíssimi Fílii tui, et in laudes et satisfactiónes, quas in nómine peccatórum tibi persólvit, iísque misericórdiam tuam peténtibus tu véniam concéde placátus, in nómine ejúsdem Fílii tui Jesu Christi, qui tecum vivit et regnat in saécula sæculórum. Amen.

[1] GIGON, Paul. Notre-Dame du Sacré-Coeur. Toulon : Missionaire du Sacré-Coeur, 1957. p. 295.

[2] ABRANCHES, Joaquim. O amor do Coração de Crito. Braga: Editorial A. O. 1990. p. 119.

[3] Leão XIII na Annum Sacrum (1899) com a Oração para consagração ao Sagrado Coração; São Pio X; Pio XI na Miserentissimus Redemptor (1928); Pio XII na Haurietis aquas (1956);  João Paulo II na Redemptor Hominis (1979) e Bento XVI em carta ao Pe. Kolvenbach Geral da Comapanhia de Jesus.